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Maio Roxo: saiba o que são as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) e como identificá-las

No mês de conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), saiba a importância do diagnóstico e tratamento precoce dessas condições

Marina Borges

por Marina Borges

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Publicado em 21/05/2024, às 12h00

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Entenda o que são as Doenças Intestinais Inflamatórias (DIIs) - Freepik
Entenda o que são as Doenças Intestinais Inflamatórias (DIIs) - Freepik

Maio é o mês de conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), um período dedicado a aumentar o conhecimento e a compreensão sobre essas condições crônicas que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. As DIIs, que incluem a doença de Crohn e a colite ulcerativa, podem causar sintomas debilitantes e impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Neste Maio Roxo, AnaMaria conversou com o gastroenterologista Alexandre Carlos, especialista em questões do sistema digestivo, para entender a importância do diagnóstico e tratamento precoce para controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a saúde geral dos pacientes com DIIs. Afinal, entender mais sobre essas doenças e a importância de uma gestão adequada pode fazer toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida das pessoas afetadas.

O que é uma doença inflamatória intestinal?

As Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) são um grupo de condições crônicas que causam inflamação no trato gastrointestinal. As duas principais doenças que fazem parte desse grupo são a doença de Crohn e a colite ulcerativa.

A doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato digestivo, desde a boca até o ânus, mas geralmente afeta o final do intestino delgado e o início do intestino grosso. Já a colite ulcerativa afeta principalmente o cólon e o reto. 

Leia mais: Doença de Crohn: entenda problema que levou Evaristo Costa para UTI

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As Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) causam dor abdominal - Foto: Freepik

De acordo com Alexandre, ambas as condições são caracterizadas por períodos de exacerbação dos sintomas, seguidos por períodos de remissão. Isso significa que os pacientes podem experimentar fases em que os sintomas se tornam intensamente graves, como dor abdominal, diarreia, sangramento retal e fadiga.

Esses períodos de crise, chamados de exacerbações ou surtos, podem durar dias, semanas ou até meses. Entre essas crises, os pacientes podem entrar em remissão, que é um período em que os sintomas diminuem ou desaparecem completamente. Durante a remissão, a inflamação no trato gastrointestinal é reduzida, e o paciente pode sentir-se bem e viver uma vida relativamente normal.

No entanto, a doença não é considerada curada, e os sintomas podem voltar a qualquer momento, desencadeados por fatores como estresse, dieta inadequada, infecções ou outras influências desconhecidas. O objetivo do tratamento é prolongar esses períodos de remissão e reduzir a frequência e a intensidade das exacerbações.

Sintomas das Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs)

  • Dor abdominal: cólica e desconforto que variam em intensidade;

  • Diarreia: pode ser frequente e aquosa, às vezes acompanhada de sangue;

  • Sangramento retal: presença de sangue nas fezes;

  • Perda de peso involuntária: devido à má absorção de nutrientes e perda de apetite;

  • Fadiga: sensação constante de cansaço e falta de energia;

  • Febre: pode ocorrer durante períodos de exacerbação;

  • Náusea e vômito: em alguns casos, especialmente durante crises graves.

Importância do diagnóstico precoce das DIIs

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Foto: Freepik/gpointstudio

O diagnóstico precoce das Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), como a Doença de Crohn e a Colite Ulcerativa, é crucial para o manejo eficaz e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Quando diagnosticadas cedo, é possível iniciar o tratamento antes que ocorram complicações graves, como obstruções intestinais, perfurações ou câncer de cólon.

O gastroenterologista Alexandre Carlos explica que a identificação precoce permite a adoção de terapias que podem controlar a inflamação, aliviar sintomas e minimizar danos ao trato gastrointestinal. Além disso, um diagnóstico precoce ajuda a prevenir o desenvolvimento de deficiências nutricionais e outras condições associadas, como anemia e osteoporose, que podem resultar da má absorção de nutrientes devido à inflamação crônica.

"Ao iniciar o tratamento de forma antecipada, os pacientes podem manter uma melhor qualidade de vida, evitar hospitalizações frequentes e reduzir a necessidade de intervenções cirúrgicas. Por outro lado, um diagnóstico tardio pode ter consequências sérias. A inflamação intestinal não tratada ou inadequadamente controlada pode levar a complicações como estenoses (estreitamentos) intestinais, fístulas (conexões anormais entre órgãos) e abscessos. Essas complicações muitas vezes exigem intervenções cirúrgicas, como ressecções intestinais para remover partes danificadas do intestino", explica o médico.

Além das complicações físicas, o diagnóstico tardio pode afetar a saúde mental do paciente devido à prolongada exposição aos sintomas debilitantes, à incerteza sobre o diagnóstico e ao impacto nas atividades diárias. Por isso, a detecção e tratamento precoce das DIIs são fundamentais para um melhor prognóstico a longo prazo, permitindo que os pacientes levem uma vida mais normal e produtiva.

Tratamentos para as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs)

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O tratamento para DIIs pode incluir medicamentos injetáveis - Foto: Freepik

O tratamento das Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Existem várias abordagens terapêuticas, que podem ser combinadas dependendo da gravidade e da resposta individual ao tratamento.

De acordo com Alexandre, atualmente, os tratamentos disponíveis para uma doença inflamatória intestinal abrangem medicamentos orais, como aminossalicilatos, imunossupressores, corticoides e inibidores da Jak, além de medicamentos injetáveis, como os biológicos.

"Em casos mais graves ou quando os tratamentos medicamentosos não são eficazes, o tratamento cirúrgico pode ser considerado, envolvendo ressecção (remoção de parte de um tecido, estrutura ou órgão) do intestino delgado ou grosso, confecção de ostomias (novo caminho para eliminação de urina e fezes) temporárias ou definitivas e colocação de sedenhos (drenos de seda ou algodão)", aponta o gastroenterologista.

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