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Quando se preocupar com a gagueira na infância? Veja dicas de especialista

Por envolver o fluxo da fala, gagueira pode ser confundida com a fase de desenvolvimento oral da criança

*Dra. Maura Neves, colunista de AnaMaria Digital Publicado em 05/09/2023, às 08h00

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Quando se preocupar com a gagueira na infância? - Ben White/Unsplash
Quando se preocupar com a gagueira na infância? - Ben White/Unsplash

Olá! O tema desta semana será gagueira e as disfluências da fala na Infância. Ambas são alterações na fluência da fala (suavidade e facilidade com que os sons são emitidos), que podem interferir na comunicação. Contudo, existem algumas diferenças entre elas. 

Por envolverem o fluxo da fala, ambas podem ser confundidas com a fase de desenvolvimento oral da criança. Neste caso, em específico, a disfluência do desenvolvimento, que atinge crianças de 2 a 5 anos, é o tipo de alteração mais comum da fala.

E vale ressaltar que qualquer pessoa saudável pode ter momentos de disfluência, seja por falta de planejamento do que será falado ou na verbalização do mesmo, especialmente em situações de ansiedade, cansaço, falta de sono ou complexidade do que será dito. São aqueles famosos “trava-língua", sabe?

Nestes casos, as disfluências são pontuais e correspondem a repetição de frases ou interjeições repetidas no discurso. Aqui, podem ocorrer:

  1. Inclusão de sons adicionais em uma frase;
  2. Hesitação ao falar;
  3. Repetição de uma palavra inteira, frase ou parte dela.

Entre 8 a 17% das crianças (tipicamente entre 2 e 5 anos) experimentam um período de disfluência da fala, que é transitório e associado a um período de grande desenvolvimento da linguagem, com aprendizado de novas palavras ou fonemas.

Mas não se preocupe, pois isto é normal e autolimitado e cerca de 75% destas crianças, que apresentam uma recuperação espontânea e gradual da fluência da fala. Se, por outro lado, houver um agravamento progressivo das disfluências ao longo do crescimento, em frequência e complexidade, devemos considerar a gagueira.

Ou seja, a gagueira apresenta uma disfluência semelhante, porém regular e com um nível de repetição mais alto em relação à disfluência normal ou típica da infância, que pode aumentar cada vez que a criança gagueja. 

Por isso a Gagueira se enquadra nos distúrbios de fala. Ela é caracterizada pela repetição ou pelo prolongamento/demora ao emitir alguns sons (dependendo da região em que a fala for produzida, também há uma alteração no tempo de execução das sílabas, palavras e frases), interferindo na fluência e na comunicação da pessoa. A gagueira não tem uma causa definida, mas pode ser desencadeada por: 

  1. Genética: existem genes envolvidos no surgimento da gagueira. Por isso, é comum haver mais de um membro da família com esse tipo de condição; 
  2. Condições médicas: pode ser desenvolvida após um AVC (Acidente Vascular Cerebral), lesões intracranianas (traumatismo craniano) e pré, peri ou pós-natal;
  3. Idade de início: crianças que começam a disfluência aos quatro anos, estão mais propensas a ter gagueira; 
  4. Social: se desenvolve quando a criança está inserida em um ambiente familiar, ou escolar, que facilite o quadro de gagueira. Um exemplo disso são os locais agitados, em que as pessoas falam muito rápido e de forma complexa para a faixa etária do pequeno, impedindo-o de acompanhar o que está sendo dito. 

Fatores emocionais (psicológico) podem ser agravantes, mas não os causadores da gagueira. O que pode acontecer é a criança ter fatores de risco não aparentes para o distúrbio e ao passar por um impacto emocional forte, começar a gaguejar. 

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA GAGUEIRA?

Como a gagueira pode ser confundida com a fase do desenvolvimento normal da fala e linguagem, em que há uma repetição no momento do aprendizado, é importante se atentar aos sinais que este tipo de distúrbio apresenta, que costumam ser: 

  • Emissão de sons por um tempo maior do que o esperado. Ex.: “Pooode abrir a jjjjjaneeeela?”; 
  • Bloqueio ou interrupção de sons, ou seja, a criança até abre a boca, mas não consegue falar no momento em que deveria; 
  • Dificuldade para começar uma palavra ou frase; 
  • Repetição de sons, palavras monossilábicas e sílabas; 
  • Troca de palavras ao falar, logo, ao perceber que irá gaguejar com uma determinada palavra, ocorre a troca por outra; 
  • Uso frequente de interjeições;
  • Falar devagar ou pausadamente; 
  • Simplificação das frases, já que tem uma limitação na capacidade de se comunicar; 
  • Apresentar ansiedade e tensão ao emitir uma palavra ou um som; 
  • Ter medo de falar por causa das experiências vividas; 
  • Movimentos motores involuntários, como tensão facial, tremor e piscar de olhos, por exemplo. 

E TEM FATORES DE RISCO?

Se houver uma predisposição orgânica para gagueira, existem alguns fatores de risco para seu aparecimento: 

  1. Atraso no desenvolvimento infantil; 
  2. Gagueira que persiste por mais de 06 meses; 
  3. Presença de comportamentos secundários como tensão física e desviar o olhar; 
  4. Histórico familiar; 
  5. Ser do sexo masculino, já que os meninos são os que mais têm chance de apresentar uma gagueira crônica; 
  6. Ter outros distúrbios da fala ou linguagem. 

DICAS PARA LIDAR COM A GAGUEIRA

A gagueira não tem cura, mas o tratamento precoce tem uma eficácia de 90% a 100%. Contudo, se houver uma demora, as chances de obter resultados positivos diminuem, assim como as da remissão total do quadro. Algumas dicas importantes de como lidar com quem tem gagueira: 

  1. Aceitem-no como é; 
  2. Separem um tempo para conversarem, sem distrações e ouvindo-o com atenção, lembrando-se de manter a calma enquanto falam de forma devagar, mas fluida e natural com ele; 
  3. Incentivem os familiares a serem pacientes e bons ouvintes; 
  4. Por mais que queiram ajudá-lo, não o interrompa enquanto estiver falando; 
  5. Estimulem-no a conversar sobre assuntos fáceis e que sejam do seu agrado; 
  6. Criem ambientes descontraídos, tranquilos e relaxados; 
  7. Evitem abordar sobre a gagueira no dia a dia e, 
  8. Não reajam negativamente quando ele gaguejar, já que se trata de uma ação involuntária e intermitente. 

Dica final: na dúvida se há algo anormal na fala da criança, procure seu médico! 

*DRA. MAURA NEVES é formada na Medicina pela Faculdade de Medicina da USP. Residência em Otorrinolaringologia pelo HC- FMUSP. Fellow em Cirurgia Endoscópica pelo HC- FMUSP. Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP. Médica Assistente do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo -SP. Aqui na Revista AnaMaria, trará quinzenalmente um conteúdo novo sobre a saúde do ouvido, nariz e garganta. Instagram: @dra.mauraneves.

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