Remédios como Ozempic, indicado para diabéticos, se popularizaram como solução de emagrecimento
Publicado em 02/06/2023, às 07h40
Em sua jornada de emagrecimento, Jojo Todynho polemizou ao contar que fez tratamento com Ozempic, remédio destinado a diabéticos que tem a perda de peso como efeito colateral. Afinal, quais os perigos de tomar medicação indevida para emagrecer?
Vale lembrar que, além da estética, a obesidade pode causar doenças crônicas, cardíacas e respiratórias. Na tentativa de tratar o sobrepeso, que acomete 20% da população brasileira, inúmeras medicações foram utilizadas.
O QUE É O OZEMPIC?
Com 39 anos de experiência na área, o cardiologista Heron Rached relembra ao AnaMaria Digital que já existiam inúmeros tratamentos que acarretavam a perda de peso no passado. Entre eles, o femproporex - que causava danos cardiovasculares como arritmias e hipertensão nas pacientes -, sibutramina e orlistat, além das cirurgias bariátricas.
Recentemente, o Ozempic - remédio que tem a semaglutida como principal ativo - entrou no mercado como um tratamento para a diabetes tipo 2. Apesar disso, virou objeto de desejo das influenciadoras por gerar perda de peso, pois o mecanismo de ação do Ozempic retarda o esvaziamento gástrico, dando uma sensação de saciedade ao paciente.
Com prescrições 'off-label' - não descritas em bula - os médicos começaram a tratar não-diabéticos obesos com fins de emagrecimento. No entanto, muitos usam a medicação sem acompanhamento médico. Rached chama a atenção para o perigo deste movimento, pois "o esvaziamento da medicação nas farmácias fez com que os pacientes diabéticos não tenham fácil acesso ao remédio."
O médico detalha ainda que o medicamento gera a perda do apetite porque o tempo de permanência da comida no estômago aumenta. Tendo a sensação de saciedade por mais tempo, o usuário passa a se alimentar em menor quantidade. "Esses pacientes podem sofrer com a falta da vitamina D, B e A", pontua sobre os efeitos colaterais.
Exatamente por isso, usar esse medicamento sem uma supervisão médica pode acarretar sérios problemas de saúde. Isso aumenta a importância do médico conhecer seu paciente antes de submetê-lo a tal tratamento: "Não dá para prescrever sem saber o estado do pâncreas da pessoa, ou se ele não tem nenhuma contraindicação para o uso dessa droga. Nós tivemos casos gravíssimos de pacientes portadores de ovário policístico que fizeram uso do Ozempic e tiveram sérios problemas."
Sobre regulamentar as medicações, ele afirma que proibir a venda de antibióticos sem prescrição já é um avanço e tanto. "É uma medida simples e que talvez controle o uso indiscriminado do medicamento naqueles pacientes que espontaneamente recorrem às farmácias para comprá-los", diz.
Já para combater a obesidade, o profissional da saúde recomenda que haja acompanhamento médico frequente: "Procure o seu médico, faça o seu check-up e, logicamente, perca o peso de forma correta".