As mulheres no esporte enfrentam desafios que vão muito além da falta de motivação. Embora 57% das brasileiras se declarem sedentárias, 71% afirmam valorizar uma rotina com atividade física. O contraste aparece em um estudo da Decathlon, realizado em parceria com a Consumoteca, que investigou o papel do esporte na vida dos brasileiros e os obstáculos que ainda limitam sua prática.
A pesquisa, intitulada “O novo significado do esporte no Brasil: onde corpo, movimento e cultura se encontram”, reuniu análise de mais de 10 milhões de menções nas redes sociais e entrevistou 2.017 pessoas de diferentes regiões, classes sociais e faixas etárias do país.
Os resultados mostram que a realidade feminina é marcada por fatores externos que dificultam a permanência no esporte. Enquanto os homens apontam principalmente questões individuais, como falta de motivação e dificuldade para administrar o tempo, as mulheres lidam com desafios relacionados à segurança, responsabilidades familiares e apoio social.
Quais são as principais barreiras para as mulheres no esporte?
Os dados mostram que o interesse pelo movimento existe, mas nem sempre consegue se transformar em hábito.
Entre os principais obstáculos relatados pelas entrevistadas estão:
- Sensação de insegurança (17%): o medo durante deslocamentos ou atividades ao ar livre limita a prática esportiva.
- Falta de companhia (21%): muitas mulheres relatam maior dificuldade para manter a rotina sem uma rede de apoio.
- Sobrecarga com filhos e cuidados familiares (11%): responsabilidades domésticas e maternas reduzem o tempo disponível para exercícios.
Outro dado que chama atenção envolve experiências negativas durante a prática esportiva. Segundo o levantamento, 16% das entrevistadas afirmam já ter sofrido assédio ou discriminação enquanto se exercitavam. Além disso, 9% relatam ter presenciado situações semelhantes envolvendo outras mulheres.
Esse cenário ajuda a explicar por que o debate sobre esporte feminino precisa considerar questões estruturais e não apenas escolhas individuais.

Desigualdade no esporte começa na infância
A pesquisa mostra que as diferenças surgem cedo. Desde crianças, meninos costumam ser incentivados a participar de modalidades coletivas e competitivas. Já as meninas são direcionadas com mais frequência para atividades ligadas ao bem-estar e ao cuidado com o corpo.
O reflexo aparece nos números. O futebol é praticado por 39% dos homens e apenas 5% das mulheres.
Por outro lado, o público feminino lidera modalidades como:
- Caminhada (47%): opção acessível e fácil de incluir na rotina.
- Musculação (37%): atividade que ganhou espaço entre mulheres de diferentes faixas etárias.
- Dança (16%): une movimento, lazer e socialização.
- Pilates (11%): bastante associado ao fortalecimento muscular e à qualidade de vida.
Os dados indicam que os estímulos recebidos na infância influenciam diretamente a relação construída com o esporte ao longo da vida.
Como aumentar a participação das mulheres no esporte?
O estudo aponta que ampliar a presença feminina nas atividades físicas exige mudanças no ambiente ao redor dessas mulheres.
Embora homens e mulheres se considerem exemplos para os filhos, elas assumem um papel ainda mais ativo nesse incentivo. Entre as entrevistadas, 86% afirmam estimular os filhos a praticar esportes regularmente. Entre os homens, o índice é de 80%.
Para a Decathlon, enfrentar barreiras como insegurança, assédio e sobrecarga de responsabilidades é fundamental para transformar intenção em ação. A iniciativa #MovendoTodas, lançada pela marca em 2025, busca justamente incentivar mais mulheres a incorporarem o movimento ao cotidiano.
Criar condições mais seguras, acolhedoras e acessíveis pode ser o caminho para que cada vez mais brasileiras consigam transformar o desejo de se movimentar em uma prática constante e prazerosa.
Resumo: Mulheres no esporte enfrentam desafios ligados à insegurança, à falta de companhia e à sobrecarga de responsabilidades familiares. Pesquisa nacional mostra que a maioria valoriza a atividade física, mas encontra obstáculos para mantê-la na rotina. O estudo também revela que a desigualdade na prática esportiva começa na infância e influencia hábitos ao longo da vida. Iniciativas de apoio e ambientes mais acolhedores aparecem como fatores importantes para ampliar a participação feminina.
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