Entre um compromisso e outro, a gente costuma adiar aquilo que não dói, não incomoda e não parece urgente. O exame de rotina entra fácil nessa lista. Só que existem doenças que começam sem alarde. O câncer do colo do útero é uma delas. Ele não costuma mandar avisos no início. E é aí que mora o perigo!
Hoje, esse é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, com cerca de 17 mil novos casos por ano, segundo estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
O que é o câncer do colo do útero?
O câncer do colo do útero se desenvolve na parte inferior do útero, chamada colo ou cérvix, que faz a ligação com a vagina. Na maioria dos casos, está associado à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV).
“A infecção é relativamente comum e sexualmente transmitida, mas na maioria das vezes, o próprio corpo consegue eliminá-la. Em uma pequena parcela dos casos, o vírus permanece no organismo e, ao longo dos anos, pode provocar alterações nas células que levam ao desenvolvimento do câncer”, explica Angela Caiado, head de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Grupo Fleury.
O papel do Papanicolau (ou preventivo)
Mesmo com novas tecnologias disponíveis, o Papanicolau continua sendo um grande aliado no diagnóstico precoce. O exame coleta células do colo do útero para análise em laboratório e consegue identificar lesões que ainda não são câncer, mas podem evoluir se não forem tratadas.
A recomendação do Ministério da Saúde é que mulheres entre 25 e 64 anos realizem o exame anualmente. Após dois resultados normais consecutivos, com intervalo de um ano, ele pode passar a ser feito a cada três anos.
Muitas mulheres, porém, ainda deixam de fazer o preventivo por vergonha, medo, falta de tempo ou por acreditarem que, na ausência de sintomas, não há necessidade. O problema é que, nas fases iniciais, o câncer do colo do útero é silencioso.
Teste de HPV e colposcopia: quando entram em cena?
Além do Papanicolau, há o teste de HPV, que detecta o DNA do vírus no organismo. Ele é mais sensível para identificar mulheres com risco de desenvolver a doença.
“A partir de 2025, o Ministério da Saúde iniciou a implementação gradual desse teste no SUS como exame de rastreamento primário para mulheres a partir dos 30 anos. Com ele, o intervalo entre os exames poderá ser de cinco anos”, explica Angela.
Quando o Papanicolau apresenta alguma alteração, o médico pode solicitar a colposcopia, exame que funciona como uma espécie de lupa para avaliar o colo do útero com mais detalhes. Se necessário, é realizada uma biópsia para confirmação do diagnóstico.

Entenda os principais exames
Papanicolau
• Detecta alterações celulares antes que se tornem câncer
• Exame simples e rápido
Teste de HPV
• Identifica a presença do DNA do vírus
• Ajuda a definir o intervalo de acompanhamento
Colposcopia
• Avaliação detalhada do colo do útero
• Pode incluir biópsia
E a vacina?
A vacinação contra o HPV é considerada a principal forma de prevenção primária. No SUS, está disponível gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos específicos até os 45 anos, conforme critérios do SUS.
“Adultas que não se vacinaram na adolescência ainda podem e devem se beneficiar da vacina. Embora a eficácia seja maior em quem nunca teve contato com o vírus, a vacinação em mulheres adultas pode proteger contra tipos de HPV com os quais elas ainda não tiveram contato e pode reduzir o risco de reinfecção e recidivas em quem já teve alguma lesão”, afirma Angela Caiado.
Na rede privada, existe a vacina nonavalente, que protege contra nove subtipos do vírus.
Notou algum sintoma? Fique atenta!
Nos estágios iniciais, não há sintomas. Quando surgem, geralmente indicam que a doença já está mais avançada. Sangramento vaginal fora do período menstrual, após a relação sexual ou depois da menopausa, corrimento diferente do habitual, dor pélvica, dor ao urinar ou evacuar, perda de peso inexplicável e cansaço excessivo são sinais que exigem avaliação médica.
“As chances de cura do câncer do colo do útero são altíssimas quando a doença é diagnosticada em seus estágios iniciais, podendo ultrapassar os 90%”, destaca Angela.
O tratamento depende do estágio, do tamanho do tumor e de fatores individuais da paciente. Pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia e, em alguns casos, imunoterapia.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1511, de 6 de março de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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