Leite cru, pasteurizado, longa vida. Apesar de ocuparem espaços diferentes na geladeira e despertarem opiniões divergentes entre os consumidores, todos têm como base o mesmo alimento: o leite de vaca. Ainda assim, basta uma rápida passada pelo corredor do supermercado para encontrar dúvidas recorrentes. O leite de caixinha UHT tem menos nutrientes? O de saquinho é mais “natural”? O cru é melhor por sofrer menos processamento?
Segundo a nutricionista Dra. Aline David, embora existam diferenças importantes entre os tipos de leite, elas estão relacionadas principalmente aos processos de produção, às formas de conservação e à segurança dos alimentos. Em suma, as diferenças no valor nutricional são praticamente nulas.
Leite cru: o perigo invisível do alimento “direto da fazenda”
O leite cru é aquele obtido diretamente da ordenha e que não passou por nenhum tipo de tratamento térmico. Por isso, embora o senso comum o associe à ideia de um alimento mais puro, ele exige atenção e cuidado redobrado.
Sem passar pelo calor para a eliminação de microrganismos, o leite cru pode conter agentes altamente prejudiciais à saúde. Inclusive, o Ministério da Saúde orienta que a população não o consuma, e a sua comercialização de forma fluida é proibida por lei no Brasil.
“Existe uma percepção de que quanto menos processado um alimento é, melhor ele será. Mas a segurança alimentar também é um fator importante quando falamos de leite. Seu consumo está associado ao risco de transmissão de diversas doenças. Entre elas estão tuberculose, brucelose, listeriose, salmonelose e infecções por Escherichia coli”, alerta a nutricionista.
Pasteurizado x Longa Vida: o que muda na tecnologia?
Por outro lado, as opções que encontramos no comércio passam por processos industriais rigorosos que visam proteger o consumidor, dividindo-se em duas categorias principais:
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Leite Pasteurizado: Passa por um aquecimento seguido de resfriamento rápido para eliminar bactérias patogênicas. É o famoso “leite de saquinho” ou de garrafa que precisa ficar refrigerado o tempo todo e vence em poucos dias.
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Leite Longa Vida (UHT): Passa por um aquecimento em temperaturas altíssimas por apenas alguns segundos e é envasado de forma asséptica em caixas com seis camadas de proteção. Isso impede a entrada de luz e oxigênio.
Graças a essa tecnologia, o produto UHT pode ser armazenado fora da geladeira por meses antes de aberto. Contudo, esse processo gerou o mito de que o leite de caixinha seria cheio de química. No entanto, a especialista esclarece: “A legislação brasileira proíbe a adição de conservantes em qualquer tipo de leite. O que garante a durabilidade é apenas o tratamento térmico e a embalagem tecnologica”.
O valor nutricional permanece intacto
Muitos acreditam que o calor do processo UHT destrói as propriedades do alimento. Da mesma forma, os estudos científicos provam o contrário. O leite de caixinha mantém o seu valor nutricional estável, continuando como uma excelente fonte de proteínas de alto valor biológico, cálcio, além de vitaminas D e do complexo B.
Nesse sentido, a escolha do leite ideal para colocar no carrinho de compras depende muito mais da sua rotina do que de um ranking de saúde. Para famílias com rotinas corridas, idosos ou pessoas que fazem compras com menos frequência, a caixinha oferece praticidade e durabilidade imbatíveis.
Em suma, em vez de vilanizar o processamento seguro, o mais importante é entender qual opção se adapta melhor ao seu bolso e ao seu dia a dia, garantindo que esse alimento tão rico continue presente na sua dieta.
