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Afinal, quanto a mulher pode engordar na gestação?

Ganhar peso além do recomendado durante a gestação está associado a um maior risco de complicações

Amanda Figueiredo Por Amanda Figueiredo
31/05/2026 - Atualizado em 02/06/2026
Em Coluna Nutrição de corpo e mente com Amanda Figueiredo
Afinal, quanto a mulher pode engordar na gestação?
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Se existe um assunto que valorizo muito no acompanhamento nutricional de gestantes, é o ganho de peso durante a gravidez.

Muitas mulheres chegam ao consultório preocupadas apenas com o risco de ganhar peso demais. Outras acreditam que, por estarem grávidas, podem comer por dois sem grandes consequências. Mas, a verdade é que o ganho de peso gestacional merece atenção não apenas por uma questão estética, mas principalmente por saúde materna e fetal.

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Ganhar peso além do recomendado durante a gestação está associado a um maior risco de complicações como diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia, parto cesáreo, dificuldades no trabalho de parto e retenção de peso após o nascimento do bebê. Além disso, o excesso de ganho de peso pode favorecer o aparecimento de estrias, desconfortos físicos e tornar mais difícil o retorno ao peso pré-gestacional.

Por outro lado, restringir demais a alimentação também não é o caminho. O objetivo é encontrar um equilíbrio que permita o crescimento e desenvolvimento adequados do bebê, preservando a saúde da mãe.

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O ganho de peso não acontece de forma linear

Um ponto importante que muitas mulheres desconhecem é que o ganho de peso não ocorre na mesma velocidade durante toda a gravidez.

No primeiro trimestre, é comum que a gestante ganhe pouco peso ou até mesmo não ganhe peso, especialmente quando apresenta náuseas, vômitos ou redução do apetite.

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Já a partir do segundo trimestre, o ganho de peso tende a se tornar mais consistente. É nesse período que o bebê acelera seu crescimento, há aumento do volume sanguíneo, expansão dos tecidos maternos e maior formação das reservas necessárias para sustentar a gestação.

Por isso, quando falamos sobre ganho de peso ideal, estamos nos referindo ao ganho total até o final da gravidez, e não a uma distribuição igual mês a mês.

Quanto é considerado normal?

A resposta depende de uma informação fundamental: o Índice de Massa Corporal (IMC) da mulher antes da gestação.

As recomendações internacionais mostram que mulheres que iniciam a gravidez com peso adequado podem ganhar mais peso do que aquelas que já engravidam com sobrepeso ou obesidade.

IMC abaixo de 18,5 (abaixo do peso): aumento entre 13 e 18 kg
IMC entre 18,5 e 24,9 (peso normal): ganho entre 11,5 e 16 kg
IMC entre 25 e 29,9 (sobrepeso): recomendação de 7 a 11,5 kg 

Essa individualização é importante porque cada organismo possui necessidades diferentes. Uma mulher que já apresenta excesso de peso não precisa ganhar a mesma quantidade de peso que uma mulher que iniciou a gravidez abaixo do peso ou dentro da faixa considerada saudável.

Nem todo peso ganho é gordura

Outro aspecto que merece esclarecimento é que o número da balança não representa apenas gordura corporal.

Ao longo da gestação, o peso também é composto pelo bebê, placenta, líquido amniótico, aumento do volume sanguíneo, crescimento do útero e das mamas, além da retenção de líquidos, que pode ser mais intensa em algumas mulheres.

Por isso, é comum observar diferenças importantes entre gestantes. Algumas apresentam pouco inchaço, enquanto outras acumulam mais líquido, especialmente no final da gravidez. Isso também influencia o peso registrado na balança.

Ainda assim, o objetivo continua sendo permanecer dentro da faixa recomendada para cada perfil.

Ganhar mais peso não significa um bebê mais saudável

Esse é outro mito bastante comum. Muitas mulheres acreditam que quanto mais peso ganharem, mais saudável será o bebê. No entanto, os estudos mostram que o excesso de ganho de peso não traz benefícios para o desenvolvimento fetal e pode aumentar os riscos para mãe e filho.

O foco deve estar na qualidade da alimentação e não apenas na quantidade de calorias consumidas.

Uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes, proteínas de qualidade, fibras, vitaminas e minerais, oferece ao bebê tudo o que ele precisa para crescer adequadamente, sem que isso necessariamente resulte em um ganho excessivo de peso materno.

O pós-parto começa na gestação

Algo que costumo dizer às minhas pacientes é que o pós-parto começa muito antes do nascimento do bebê.

Mulheres que conseguem permanecer dentro das faixas recomendadas de ganho de peso costumam apresentar maior facilidade para retornar ao peso pré-gestacional, além de reduzirem o risco de desenvolver obesidade e doenças metabólicas no futuro.

Isso não significa perseguir metas rígidas ou viver preocupada com a balança. Significa cuidar da saúde de forma consciente, entendendo que cada fase da gestação tem necessidades específicas.

O acompanhamento nutricional faz toda a diferença

Cada gestação é única. O ganho de peso ideal depende do peso inicial, da composição corporal, da presença de doenças, do padrão de retenção de líquidos, da evolução do bebê e de diversos outros fatores.

Por isso, o acompanhamento com uma nutricionista especialista em gestação é tão importante.

Mais do que controlar números na balança, nosso papel é garantir que a mãe receba todos os nutrientes necessários, que o bebê tenha um ambiente adequado para crescer e que o ganho de peso aconteça de forma saudável e segura.

A gestação não é um período para dietas restritivas, mas também não deve ser encarada como um momento sem limites. O equilíbrio é o que protege a saúde da mãe hoje e contribui para o bem-estar dela e do bebê nos próximos anos.

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Amanda Figueiredo

Amanda Figueiredo

Amanda Figueiredo (@nutriamandafig) é nutricionista clínica pela USP, com pós-graduação em Saúde da Mulher e Reprodução Humana pela PUC e extensão em Nutrition and Lifestyle in Pregnancy pela University of Munich (Alemanha). Atende presencialmente em São Paulo, na Vila Olímpia, e online para o mundo todo. Seu trabalho é voltado ao acompanhamento nutricional de mulheres em todas as fases da vida, com foco especial em fertilidade, gestação e pós-parto.

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