O enjoo é um dos sintomas mais conhecidos e, para muitas mulheres, o mais desafiador, do início da gravidez. Costuma aparecer logo no primeiro trimestre e pode afetar desde a rotina alimentar até o bem-estar e a qualidade de vida.
Mas, na maioria dos casos, é um sintoma passageiro e pode ser bastante aliviado com ajustes simples na alimentação e no estilo de vida. A seguir, explico porque os enjoos acontecem, quando tendem a melhorar e o que realmente funciona.
Por que o enjoo acontece?
Embora ainda não exista uma única explicação definitiva, o enjoo gestacional é resultado de uma combinação de fatores:
1. Aumento do hormônio hCG
Esse hormônio, a gonadotrofina coriônica humana, sobe rapidamente nas primeiras semanas e está diretamente associado ao enjoo. Quanto mais altos os níveis, maior a chance de náuseas.
2. Alterações no estrogênio e progesterona
Esses hormônios deixam o estômago mais lento, aumentam a sensibilidade ao cheiro e podem favorecer o refluxo, contribuindo para o mal-estar.
3. Hipersensibilidade do olfato
Cheiros antes neutros podem se tornar intoleráveis. Perfumes, alimentos quentes, frituras e até o cheiro da casa podem desencadear crises.
4. Fatores emocionais e metabólicos
Estresse, cansaço e hipoglicemia (baixos níveis de açúcar no sangue) também intensificam as náuseas.
Quando o enjoo na gravidez costuma melhorar?
A maioria das gestantes sente alívio entre a 12ª e a 14ª semana, quando o hCG começa a estabilizar.
Para uma parte das mulheres, porém, o sintoma pode persistir até a 20ª semana. E em uma minoria, pode acompanhar praticamente toda a gestação. Nesses casos, o acompanhamento médico é fundamental para descartar hiperêmese gravídica.
O que comer quando nada desce?
A alimentação é uma das principais ferramentas para controlar o enjoo. Alguns ajustes fazem diferença imediata:
1. Fracione as refeições
Ficar muito tempo sem comer piora a náusea. Tente comer a cada 2 a 3 horas, mesmo pequenas quantidades.
2. Prefira alimentos frios ou gelados
Eles têm cheiro menos intenso e costumam ser melhor tolerados:
frutas geladas
saladas frescas
água ou água de coco bem gelada
iogurtes e smoothies
3. Aposte em sabores cítricos e azedos
O ácido ajuda a reduzir o mal-estar e estimula a salivação, o que melhora a digestão:
limão
laranja
morango
picolé de limão ou maracujá
4. Use o gengibre como aliado
O gengibre tem efeito antiemético natural. Pode ser usado, por exemplo, em chá, lascas para mastigar, balas sem açúcar, raspas na água e smoothies.
O que evitar para não piorar o enjoo
Alguns alimentos e hábitos aumentam o desconforto, como:
Frituras e preparações gordurosas
Alimentos muito quentes ou de cheiro forte
Doces (pioram o esvaziamento gástrico e a náusea)
Longos períodos de jejum
Líquidos junto das refeições: prefira consumir 30 minutos antes ou depois
Outros hábitos que ajudam
Além da alimentação, alguns cuidados simples melhoram bastante o dia a dia:
1. Evite cheiros gatilho
Cozinhar pode ser difícil. Delegue quando possível ou prefira preparações frias.
2. Hidrate-se fracionando
Água de coco, chá gelado, água com limão e pedrinhas de gelo aromatizadas são boas opções.
3. Priorize o descanso
Sono insuficiente aumenta náuseas. Cochilos curtos ao longo do dia podem ser aliados.
4. Use roupas confortáveis
Peças apertadas podem aumentar o refluxo e o mal-estar.
5. Mantenha o ambiente ventilado
Ar fresco e janelas abertas ajudam a reduzir estímulos sensoriais.
Quando buscar ajuda?
Se o enjoo impede a alimentação adequada, causa perda de peso, impede a hidratação ou vem acompanhado de vômitos intensos, é essencial procurar atendimento.
A nutrição especializada na gestação ajuda a manter a ingestão de nutrientes, prevenir déficit de energia e garantir que você e o bebê estejam bem nutridos, mesmo em fases de dificuldade alimentar.
O enjoo é comum, desconfortável e pode atrapalhar o dia. Mas com ajustes na alimentação e nos hábitos, é possível atravessar esse período com mais leveza, segurança e equilíbrio.
Se o sintoma está intenso ou comprometendo sua nutrição, busque acompanhamento com uma nutricionista especializada. Uma abordagem individualizada faz toda a diferença para recuperar o bem-estar e manter a gestação saudável.








