Hamnet, dirigido por Chloé Zhao, parte de um episódio pouco explorado da vida de William Shakespeare para contar uma história que, no fundo, não é sobre ele. Inspirado no romance de Maggie O’Farrell, o filme acompanha Agnes (Jessie Buckley), esposa do dramaturgo, depois da morte do filho do casal, Hamnet (Jacobi Jupe), vítima da peste bubônica.
Sim, existe uma conexão com Hamlet. Mas o filme não está interessado em explicar a obra, mas em mostrar o que veio antes dela.
Sensibilidade extraordinária
Chloé Zhao conduz a narrativa sem pressa, sem excesso, sem precisar explicar demais. Ela deixa o silêncio trabalhar, quase como se as pausas estivessem respeitando o luto dos personagens. E quem está assistindo, respeita junto.
A forma como a conexão de Agnes com a natureza é retratada no filme é um tópico à parte. A natureza que aparece na tela não é aquela selvagem, comum à Hollywood, mas um ecossistema domesticado com o respeito de quem realmente se vê como parte dele, e talvez por isso tenha tons tão realistas.

O eco da sensibilidade
Poucas obras recentes me deixaram tão conectada quanto Hamnet. A narrativa acaba, mas a sensação de ser atravessada por ela nunca vai embora. Muito disso passa pela brilhante Jessie Buckley, que está absurda aqui – e não à toa levou o Oscar de Melhor Atriz. Tem uma entrega desconcertante neste papel.
Eu não sou mãe e, hoje, a maternidade não está nos meus planos. Mesmo assim, me vi intimamente tocada pela dor da Agnes. Em vários momentos, o luto dela quase sai da tela e fica difícil não sentir junto. O final me deixou de boca aberta, literalmente. Eu terminei de assistir ao filme sem saber direito o que fazer depois dos créditos.
Se eu tivesse que resumir Hamnet em uma palavra, seria essa: sensibilidade. É um filme que fala de maternidade, luto e conexão com a natureza. Mas, mais do que isso, é um filme sobre o amor.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1517, de 17 de abril de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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