Se no primeiro filme a gente mergulhava nos bastidores de uma das revistas mais influentes do mundo da moda, agora, em “O Diabo Veste Prada 2”, o cenário é outro – e muito mais próximo da realidade atual. A sequência, que chegou aos cinemas dia 30 de abril, olha diretamente para as transformações do mercado editorial nas últimas duas décadas, mostrando um retrato bastante fiel de um setor que já não vive mais seus anos de ouro, mas que ainda tenta se reinventar.
A trama retoma a história de Andy Sachs (Anne Hathaway) e Miranda Priestly (Meryl Streep) dentro desse novo contexto. Agora, o filme acompanha o declínio da aclamada revista Runway na era digital. Após uma polêmica envolvendo o veículo, a famosa e arrogante editora precisa recorrer a ajuda de Andy, que se tornou uma jornalista premiada, e da ex-assistente Emily (Emily Blunt), agora uma poderosa executiva de marcas de luxo, para salvar sua carreira. O que ela não espera, no entanto, é que essa parceria pode ser justamente o seu fim.
O glamour continua existindo, mas dividido com cortes de orçamento, equipes reduzidas e uma pressão constante por relevância em meio a era da tecnologia. Um dos maiores acertos da produção está justamente na forma como aborda esse novo momento das revistas. A crítica é certeira ao mostrar como o mercado mudou e como quem trabalha nele precisou se adaptar. Com uma visão apurada e extremamente atual sobre o jornalismo, a narrativa evidencia a fragilidade do impresso, que está cada vez mais escasso, dependentes de patrocínios e com estruturas muito mais enxutas.
Mais comédia, menos drama
Diferente do primeiro filme, que equilibrava humor com momentos mais densos, a sequência aposta muito mais na comédia e na ironia. O tom leve não chega a incomodar, mas cria um certo desequilíbrio: até mesmo as cenas que deveriam ser mais sérias acabam carregando um ar cômico. Isso dá um ritmo diferente ao longa: mais divertido, mas, ao mesmo tempo, menos impactante emocionalmente.
E por falar em drama, um que não convence é o novo arco romântico de Andy, que não se sustenta como deveria. A relação soa apressada, pouco desenvolvida e, principalmente, deslocada da narrativa principal. Em vez de somar, acaba parecendo um elemento solto e, se não estivesse ali, talvez nem fizesse falta.

Elenco impecável
Se tem algo que não mudou – e os fãs agradecem por isso -, é a força do elenco. Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt e Stanley Tucci, que interpreta Nigel, o editor de moda da Runway e fiel escudeiro de Miranda, retornam com performances impecáveis, como se nunca tivessem deixado esses personagens. Todos parecem retomar seus papéis com naturalidade, mantendo trejeitos, timing e carisma que marcaram o primeiro filme. A única que aparenta ter mudado é Miranda, personagem de Streep, que parece ter amolecido com o tempo – só não digam isso a ela!
No fim das contas, “O Diabo Veste Prada 2” é um filme que vale muito a pena assistir, especialmente por sua leitura atual do mercado editorial, pelo retorno de uma história icônica, referências culturais e por um elenco tão querido. Ainda assim, para mim, não alcançou o mesmo impacto do original que marcou uma geração e conquistou fãs ao redor do mundo. Mas isso só o tempo vai dizer!
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1521, de 15 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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