Produção baseada no romance de Ariana Harwicz, Morra, Amor acompanha Grace (Jennifer Lawrence) e Jackson (Robert Pattinson). Jovens, apaixonados e à espera do primeiro filho, eles se mudam para uma casa isolada no interior dos Estados Unidos. Após o nascimento do bebê, entre o silêncio e a rotina, ela trava uma batalha contra a própria sanidade, enquanto a maternidade e o casamento parecem levá-la cada vez mais para o limite.
Morra, Amor é a história de uma mulher que se recusa a abrir mão de quem era antes de se tornar mãe, enquanto precisa lidar com a culpa por não se encaixar no papel que esperam dela.
Não é um filme fácil
A assinatura do filme diz muito sobre o tipo de experiência que vem pela frente. A direção é de Lynne Ramsay, de Precisamos Falar Sobre o Kevin. Nos primeiros minutos de tela, precisei checar se aquele era um filme da produtora A24, estúdio de cinema independente norte-americano. A atmosfera tem essa pegada: algo entre o experimental e o psicodélico.
Me incomoda a tendência de filmes cada vez mais escuros. Entendo a escolha estética, o peso dramático, mas também sei que muitas vezes a fotografia soturna esconde limitações de produção. E, ainda assim, é um recurso que continua sendo usado à exaustão. Aqui, inclusive, prejudica um pouco a experiência cinematográfica.
Esse não é um filme óbvio. Morra, Amor não tem roteiro didático, nem entrega tudo mastigado. Há muito simbolismo, muita coisa sugerida. No começo, inclusive, nem fica claro onde estamos na linha do tempo. É o tipo de filme que exige disposição emocional; não dá para assistir distraída.
Um incômodo necessário
Algumas passagens do longa funcionam como metáforas: da sexualidade feminina sufocada, da liberdade negada, da solidão que acompanha a maternidade. Grace é uma mulher à beira do colapso mental, tentando se reencontrar dentro de uma identidade que não acolheu por completo.
O drama flerta com o thriller psicológico e constrói um retrato brutal da depressão pós-parto, tema que ainda vive sob uma espécie de pacto silencioso.
Foram duas horas incômodas. A maternidade raramente encontra espaço para esse tipo de narrativa no cinema. E aqui, a dor de Grace ganha contornos violentos, desconfortáveis, às vezes até indigestos. Mas talvez seja justamente esse o objetivo do longa.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1520, de 8 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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