Poucos romances sobreviveram ao tempo com a força de O Morro dos Ventos Uivantes. Publicado em 1847 por Emily Brontë sob o pseudônimo Ellis Bell, o clássico atravessou gerações como uma das histórias de amor mais obsessivas e destrutivas da literatura inglesa. Talvez por isso a nova adaptação dirigida por Emerald Fennell tenha chegado cercada de expectativa.
O longa acompanha a relação turbulenta entre Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), dois personagens ligados desde a infância por uma conexão intensa, mas constantemente atravessada por classe social, orgulho e ressentimento. Quando Catherine escolhe se casar com outro homem, Heathcliff desaparece, apenas para retornar anos depois, rico, influente e consumido pelo desejo de vingança.
Entre o clássico e o exagero
A adaptação claramente tenta conversar com uma nova geração. E isso aparece principalmente na forma como o romance ganha uma carga sensual mais gráfica comparada ao livro. Em vários trechos, o filme acaba deslocando o foco emocional da história para o impacto visual dessas cenas.
Tecnicamente, ele é belíssimo. A fotografia e a cenografia são hipnotizantes. Algumas imagens realmente sequestram o olhar. Mas o maximalismo moderno cria um ruído constante, como se o filme quisesse o tempo inteiro lembrar ao espectador que ele está diante de uma “releitura moderna”.

Belo demais para sentir?
No roteiro, a sensação é de que faltou tempo para dar respostas. Claro que adaptar um romance com mais de 400 páginas exige cortes. Isso é inevitável. Ainda assim, fiquei com a impressão de que alguns minutos extras fariam diferença para deixar certas motivações e transições mais orgânicas.
Para quem não tem apego ao clássico, a experiência funciona. É um filme magnético, visualmente grandioso e intenso. Já para os mais puristas, a versão de Emerald Fennell provavelmente causa calafrios. E não no bom sentido.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1523, de 29 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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