Pet – mau hálito
Que bafo!
Lígia Menezes
Aquele beijinho do pet que faz você virar o rosto não deve ser encarado como algo normal. Embora muita gente acredite que cães e gatos tenham naturalmente um hálito forte, o mau cheiro persistente costuma indicar problemas na saúde bucal e, em alguns casos, até riscos para outros órgãos do corpo.
O problema é mais comum do que parece. A principal causa é a doença periodontal, uma condição provocada pelo acúmulo de placa bacteriana e tártaro nos dentes. Sem tratamento, ela pode causar dor, inflamação, perda dentária e até favorecer alterações cardíacas, renais e hepáticas.
“O tártaro é um mal silencioso, mas com o tempo, além de causar o desagradável mau hálito, traz muitos problemas que podem colocar a vida dos pets em risco. As bactérias ali presentes podem ir para a corrente sanguínea e causar danos ao coração, rins e fígado”, alerta Mara Martins, médica-veterinária especializada em Odontologia Veterinária.
Muito além de uma questão estética
Assim como acontece com os humanos, a saúde bucal dos animais influencia diretamente no seu bem-estar. O problema é que cães e gatos costumam esconder sinais de desconforto, o que dificulta a identificação precoce das doenças.
Muitos continuam se alimentando normalmente mesmo sentindo dor. Por isso, os tutores precisam ficar atentos às mudanças de comportamento e observar a boca dos animais regularmente.
Entre os principais sinais de alerta estão o mau hálito persistente, gengivas avermelhadas, sangramentos, excesso de saliva, dificuldade para mastigar, perda de apetite e dentes amolecidos.
“Muitas vezes os animais sofrem silenciosamente, apresentando apenas mudanças sutis de comportamento. Por isso, reforço sempre que a prevenção através da escovação e do uso de produtos adequados para higiene oral é a melhor estratégia para preservar a saúde e a qualidade de vida dos pets”, afirma Mara.
Por que o tártaro aparece?
Tudo começa com a placa bacteriana, uma película formada por restos de alimentos e bactérias que se acumulam diariamente sobre os dentes. Quando essa placa não é removida, ela se mineraliza e se transforma em tártaro. A partir daí, surgem inflamações nas gengivas e danos aos tecidos que sustentam os dentes. Com a evolução da doença, o animal pode perder dentes e desenvolver infecções mais graves.
Escovação faz diferença
Os especialistas recomendam que a escovação seja feita diariamente. Isso porque a placa bacteriana começa a se formar novamente cerca de 24 horas após a limpeza. O ideal é que o hábito seja introduzido ainda na fase de filhote. Dessa forma, o animal aprende a encarar o momento de forma tranquila e natural. “Criar esse hábito desde cedo facilita a adaptação e transforma a escovação em um momento de cuidado e interação”, orienta Mara.
Para os pets que nunca tiveram contato com a escova, a adaptação deve ser gradual. Primeiro, o tutor pode tocar a boca e os dentes, sempre oferecendo recompensas. Depois, introduz a escova ou a dedeira por poucos segundos, aumentando o tempo aos poucos.
Produtos humanos estão proibidos
Um erro comum é utilizar creme dental de uso humano nos animais. A prática pode ser perigosa, já que esses produtos contêm substâncias que não devem ser ingeridas por cães e gatos. A recomendação é utilizar apenas escovas e cremes dentais desenvolvidos especificamente para uso veterinário. Além disso, petiscos voltados para a higiene oral e sprays bucais podem complementar os cuidados, mas nunca substituir a escovação.
Quando a limpeza profissional é necessária
Se o tártaro já estiver instalado, não adianta tentar removê-lo em casa. Nesse caso, a solução é procurar um médico-veterinário para realizar a limpeza profissional. O procedimento é feito sob sedação e exige avaliação prévia para garantir a segurança do animal. Após a remoção do cálculo dentário, a manutenção diária passa a ser fundamental para evitar que o problema volte a aparecer.

Seu pet precisa de uma avaliação?
Fique atenta aos sinais:
- Mau hálito persistente
• Gengivas vermelhas ou inchadas
• Sangramento na boca
• Salivação excessiva
• Dificuldade para mastigar
• Perda de apetite
• Dentes amolecidos
• Sensibilidade ao tocar o focinho
5 hábitos para melhorar o hálito do pet
- Escove os dentes diariamente.
• Ofereça petiscos específicos para higiene bucal.
• Faça consultas odontológicas periódicas.
• Mantenha uma alimentação equilibrada.
• Observe a boca do animal regularmente para identificar alterações precoces.
Filhote, adulto ou idoso: os cuidados mudam?
Filhotes: o foco é criar o hábito da escovação e acostumar o animal ao manuseio da boca.
Adultos: a prioridade é prevenir o acúmulo de placa bacteriana e tártaro.
Idosos: precisam de acompanhamento mais frequente, pois apresentam maior risco de doença periodontal, perda dentária e outras alterações relacionadas ao envelhecimento.
