A doença renal está entre as condições mais comuns na rotina veterinária – e, ao mesmo tempo, uma das mais difíceis de perceber no início. Em cães e gatos, especialmente os mais velhos, o problema pode evoluir por meses sem sinais claros, o que exige atenção redobrada dos tutores. “Ela é considerada silenciosa porque os rins têm grande capacidade de compensação. O organismo consegue manter o funcionamento aparentemente normal mesmo com parte do órgão já comprometido”, explica Fernanda Dias, médica-veterinária do Hospital Veterinário AmarVet’s.
Nos felinos, o cenário é ainda mais delicado – a Doença Renal Crônica (DRC) aparece com frequência maior!
Por que os gatos são mais afetados?
Os gatos têm características que aumentam o risco de problemas renais ao longo da vida. Uma delas é a própria fisiologia. Eles possuem menor quantidade de néfrons – estruturas responsáveis pela filtragem do sangue – e, além disso, tendem a ingerir pouca água no dia a dia. Esse conjunto favorece o desgaste gradual dos rins.
Outro fator importante é o comportamento. Gatos costumam ser mais discretos e, muitas vezes, escondem sinais de desconforto. “Eles têm um comportamento mais reservado e podem mascarar sintomas. Por isso, mudanças pequenas na rotina ou no apetite já merecem atenção”, alerta Fernanda.

O problema não aparece de uma vez
A doença renal pode ser aguda ou crônica. A forma crônica é a mais comum e se desenvolve lentamente, com perda progressiva da função dos rins. O desafio é que os sinais iniciais são sutis:
– Aumento da sede;
– Maior volume de urina;
– Perda de apetite;
– Emagrecimento gradual;
– Vômitos ou diarreia;
– Pelagem sem brilho;
– Cansaço e apatia.
Como essas mudanças podem ser confundidas com envelhecimento ou alterações leves, o diagnóstico costuma acontecer mais tarde.
As principais causas
A doença renal não tem uma única origem. Ela pode estar relacionada a diferentes fatores ao longo da vida do animal. Entre os mais comuns estão: envelhecimento, desidratação frequente, alimentação inadequada, doenças como diabetes e hipertensão, uso de alguns medicamentos, infecções e fatores genéticos.
Algumas raças também apresentam maior predisposição como Persa (gatos), além de cães como Shih-tzu, Lhasa Apso, Yorkshire, Poodle e Golden Retriever.
Exames fundamentais
Além de ureia e creatinina, o veterinário deve solicitar exame de urina, ultrassom abdominal, avaliação de proteínas na urina, análise de fósforo no sangue, além de aferir a pressão arterial em consulta.
Tratamento
Nos casos de doença renal, a alimentação tem papel importante no controle do quadro. Dietas específicas, com rações medicamentosas, ajudam a reduzir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do pet.
Fique atento ao consumo de água
Mudanças no comportamento de beber água podem ser um dos primeiros sinais.
Observe a rotina do pet
Alterações no apetite, peso ou disposição não devem ser ignoradas.
Estimule a hidratação
No caso dos gatos, oferecer fontes de água corrente ou alimentação úmida pode ajudar.
Faça check-ups regulares
Exames periódicos são fundamentais, principalmente em pets adultos e idosos.
Evite automedicação
Medicamentos sem orientação podem prejudicar os rins.
Invista em alimentação adequada
Uma dieta equilibrada contribui para a saúde geral do animal.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1515, de 3 de abril de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
