Poucos comportamentos são tão característicos dos felinos quanto a autolimpeza. Ao longo do dia, os gatos interrompem diferentes atividades para lamber cuidadosamente a pelagem, mantendo os pelos organizados e removendo sujeiras.
Esse hábito vai além da higiene. A lambedura ajuda na distribuição da oleosidade natural da pele, contribui para a regulação da temperatura corporal e também está relacionada à sensação de conforto e segurança.
“Esse ritual ocupa uma parcela significativa da rotina dos gatos e pode se intensificar em diferentes contextos, como períodos de maior queda de pelos, mudanças no ambiente ou situações de desconforto emocional”, explica Marcella Vilhena, médica-veterinária e gerente de produtos da Avert Biolab Saúde Animal.
Como surgem as bolas de pelo
A língua dos gatos possui pequenas estruturas rígidas, chamadas papilas queratinizadas, que funcionam como uma escova natural. Durante a limpeza, essas estruturas retêm fios soltos, que acabam sendo engolidos.
Na maior parte das vezes, os pelos ingeridos são eliminados naturalmente pelas fezes. Porém, quando há excesso de fios ou dificuldade no trânsito intestinal, esse material pode se acumular no sistema digestivo. Esse acúmulo forma os chamados tricobezoares, conhecidos popularmente como bolas de pelo.
Nem sempre o problema aparece com vômito
O vômito costuma ser o sinal mais lembrado quando se fala em bolas de pelo, mas o quadro pode se manifestar de outras maneiras. “Embora os episódios de vômito sejam os sinais mais conhecidos, o acúmulo de pelos pode provocar outros desconfortos gastrointestinais, como náusea, constipação, redução do apetite, regurgitação frequente e alterações na disposição do animal. Em situações mais graves, pode favorecer quadros de obstrução gastrointestinal”, detalha Marcella.
Mudanças de comportamento, apatia e diminuição do interesse pela alimentação também merecem atenção.
Quais gatos têm maior predisposição
Algumas características aumentam a chance de formação das bolas de pelo.
Entre os principais fatores estão:
- pelagem longa
- obesidade
- sedentarismo
- baixa ingestão de água
- períodos de estresse
- lambedura excessiva
Em épocas de maior troca de pelagem, como outono e primavera, a ingestão de pelos costuma aumentar naturalmente.
Escovação é uma das principais aliadas
A remoção regular dos fios soltos ajuda a reduzir a quantidade de pelos que chega ao trato digestivo. Gatos de pelos longos geralmente precisam de escovações mais frequentes, mas esse cuidado pode beneficiar felinos de todos os tipos de pelagem. Além de prevenir o acúmulo de pelos, a escovação permite observar alterações na pele e identificar períodos de queda mais intensa.
Água e alimentação também fazem diferença
Os gatos costumam ingerir pouca água, e isso pode dificultar o trânsito intestinal. Para estimular a hidratação, algumas estratégias ajudam, como oferecer fontes de água corrente, distribuir vários potes pela casa, incluir alimentos úmidos na rotina. Essas medidas favorecem o funcionamento intestinal e auxiliam na eliminação dos pelos pelas fezes.

Estresse pode aumentar a lambedura
A autolimpeza também está ligada ao estado emocional do animal. Mudanças no ambiente, ausência de estímulos ou alterações na rotina podem fazer com que o gato passe a se lamber com maior frequência. Por isso, o enriquecimento ambiental é parte importante da prevenção. Arranhadores, prateleiras elevadas, esconderijos e brinquedos interativos ajudam a manter o felino mais ativo e equilibrado.
Suporte gastrointestinal pode ser indicado
Em gatos com episódios recorrentes, o médico-veterinário pode recomendar estratégias complementares. Compostos à base de extrato de malte, por exemplo, são utilizados para facilitar o trânsito intestinal e favorecer a eliminação dos pelos.
“O manejo das bolas de pelo deve ser pensado de forma integrada. Escovação, hidratação, controle do estresse e suporte ao trânsito gastrointestinal atuam em conjunto para reduzir o impacto desse problema na rotina dos felinos”, destaca Marcella.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1523, de 29 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
