Com a chegada do outono e das temperaturas mais frias, as doenças sazonais, como as infecções respiratórias virais, tornam-se mais frequentes. Muitas vezes, o popular diagnóstico de “virose”, atribuído pelos médicos aos pacientes, parece vago e genérico. No entanto, essa definição pode ser justificável devido à ampla diversidade de sintomas que essas infecções causam.
As manifestações clínicas são variadas e incluem febre, coriza, dores musculares, tosse e desconforto na garganta. Em alguns casos, podem ocorrer diarreia, náuseas e vômito. Os quadros virais representam um dos principais motivos para o aumento na procura por atendimento médico nesta época. Entre os principais vírus respiratórios causadores de doenças em humanos, estão influenza, coronavírus, rinovírus, vírus sincicial respiratório, metapneumovírus e adenovírus.
Para identificá-los precisamente, é necessária realização de exames específicos, que nem sempre estão disponíveis dependendo do contexto, e são dispensáveis na maioria dos casos leves. A gripe causada pela influenza, por exemplo, é uma virose transmitida por meio de gotículas respiratórias expelidas com a tosse, os espirros e a fala. Em alguns pacientes, a doença pode evoluir com agravos e complicações, como pneumonias, infecções bacterianas secundárias e desconforto respiratório agudo, sobretudo em populações vulneráveis, consideradas de maior risco.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), anualmente, cerca de 1 bilhão de pessoas são acometidas pelo vírus da gripe e entre 3 e 5 milhões evoluem com as formas graves da doença.A influenza A tem alta capacidade de mutação e não podemos nos esquecer que em 2009 ela foi responsável pela pandemia de H1N1.
No Brasil, o Ministério da Saúde promove todos os anos a campanha de vacinação contra a influenza. A ação visa reduzir o risco de complicações, diminuir a circulação viral e evitar a sobrecarga nos hospitais e unidades de saúde, mediante a estimulação da resposta imunológica e produção de anticorpos.
A vacina trivalente, fabricada pelo Instituto Butantan, confere imunização contra a influenza A (subtipos H1N1; H3N2) e B (linhagem Victoria), e é disponibilizada gratuitamente pelo SUS. A vacina quadrivalente inclui uma segunda linhagem da influenza B e está disponível somente nos serviços privados.
Neste ano, a campanha iniciou-se no dia 28 de março e se estenderá até o dia 30 de maio para os grupos prioritários: idosos, gestantes e puérperas, portadores de doenças crônicas e crianças entre 6 meses e 5 anos. A meta do governo federal é alcançar 90% de cobertura vacinal nesses grupos ou, pelo menos, melhorar a adesão em relação ao ano passado, quando a taxa de vacinação foi considerada baixa, com cerca de 54%. Para tanto, confira algumas recomendações e orientações sobre a imunização contra a influenza.
Contraindicações:
– Crianças menores de 6 meses;
– Histórico de reação alérgica grave (anafilaxia) à vacina da gripe;
-Situações clínicas específicas que necessitem de avaliação médica individualizada para ponderação do risco-benefício.
Recomendações: pessoas que apresentem febre, suspeita de infecções agudas ou em tratamento de alguma outra condição devem adiar a vacinação até a melhora do quadro. Segundo a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), indivíduos alérgicos a ovo podem ser vacinados, desde que os profissionais de saúde sejam previamente informados para a adoção das precauções adequadas.
Eventos adversos: 15 a 20% das pessoas que recebem a vacina podem apresentar reações no local da aplicação, como vermelhidão, dor e inchaço; costumam ser leves e geralmente melhoram em até 72 horas. Outras manifestações, como febre baixa, sudorese e dores nas articulações, são menos comuns e costumam ser igualmente transitórias.
