Um sapato polêmico, facilmente reconhecido pela divisão frontal que separa o dedão dos outros dedos, tem ganhado cada vez mais espaço nas produções de moda. Trata-se do Tabi, que embora esteja longe de ser uma novidade, voltou ao centro das atenções e passou a aparecer em diferentes combinações, dos looks casuais às produções mais elaboradas.
O formato incomum costuma provocar reações opostas. Enquanto algumas pessoas adotaram o calçado como um elemento de destaque no visual, outras ainda estranham sua aparência. Essa capacidade de dividir opiniões, aliás, acompanha o Tabi há décadas e ajuda a explicar por que ele continua sendo reconhecido como uma das criações mais particulares da moda contemporânea.
A popularidade recente também ampliou as possibilidades de uso. O design com a ponta dividida deixou de aparecer somente nas tradicionais botas e hoje pode ser encontrado em sapatilhas, mocassins, mules, modelos de salto e outras versões. Com isso, o Tabi passou a integrar combinações bastante diferentes entre si.
O que é o Tabi e por que seu formato chama atenção?
A principal característica do Tabi está na ponta do calçado, dividida entre o dedão e os demais dedos do pé. Visualmente, o desenho lembra um casco, comparação que ajuda a explicar parte das reações provocadas pelo modelo.
Na moda ocidental, o design ficou conhecido principalmente por meio do trabalho do estilista belga Martin Margiela. O calçado apareceu na coleção de estreia de sua marca, apresentada em 1988, e acabou se tornando um dos principais símbolos da grife.
A inspiração, porém, tem raízes muito mais antigas. O nome e o formato remetem às tradicionais meias japonesas tabi, usadas com sandálias que possuem uma tira posicionada entre os dedos. Ao transportar essa característica para seus calçados, Margiela criou uma peça que se tornou imediatamente identificável.
Décadas depois, a ponta dividida continua sendo explorada em novas versões e materiais, mantendo a característica original que tornou o calçado reconhecível.
Do Japão às passarelas internacionais
A história por trás do Tabi ajuda a entender por que o modelo não pode ser considerado apenas uma tendência passageira. As meias japonesas que inspiraram seu desenho têm uma trajetória anterior à criação de Margiela e foram incorporadas ao universo da moda ocidental por meio de uma nova interpretação.
Quando o estilista apresentou sua primeira coleção, as botas Tabi já ocupavam um papel importante. Naquela ocasião, as solas foram mergulhadas em tinta vermelha, deixando marcas no chão enquanto as modelos caminhavam.
Com o passar dos anos, o design permaneceu presente nas coleções da Maison Margiela e se consolidou como uma assinatura visual da marca. Atualmente, a divisão entre os dedos aparece em diferentes tipos de calçados, ampliando as opções para quem deseja incorporar o formato ao guarda-roupa.
Como usar o Tabi em looks do dia a dia?
Apesar da aparência incomum, o Tabi pode ser combinado com peças básicas. Uma das possibilidades é usá-lo com jeans e camiseta, fazendo do calçado o ponto de maior destaque da produção.
Modelos como sapatilhas e mocassins podem aparecer em composições com calças retas ou de modelagem ampla. Já as botas podem ser usadas com diferentes comprimentos de saia e vestido, dependendo da proposta do visual.
Outra possibilidade é criar uma combinação monocromática. Quando o calçado acompanha as cores predominantes das roupas, seu formato continua visível, mas pode ser incorporado de maneira menos contrastante ao restante da produção.
Para quem prefere destacar ainda mais o design, versões coloridas ou metalizadas podem assumir protagonismo no look. Nesse caso, roupas em tons mais neutros permitem que o formato e a cor dos pés ganhem maior evidência.
O sapato também aparece com alfaiataria e vestidos
O formato dividido não precisa ficar restrito às produções casuais. O Tabi também aparece em combinações com peças de alfaiataria, como calças, blazers e conjuntos.
Nesse tipo de composição, o contraste acontece entre linhas tradicionalmente associadas a uma aparência mais clássica e o desenho pouco convencional do calçado. O mesmo princípio pode ser aplicado a vestidos e saias.
As versões de salto ampliam ainda mais as possibilidades de uso. Além das conhecidas botas, existem modelos semelhantes a scarpins, sandálias e outros formatos que mantêm a separação característica entre os dedos.
Por que o Tabi se tornou tão popular novamente?
A circulação de tendências nas redes sociais contribuiu para colocar o Tabi novamente em evidência. Fotos de celebridades, influenciadores e consumidores usando o modelo aumentaram sua visibilidade para além das passarelas e do público especializado em moda.
Ao mesmo tempo, o interesse por peças com design facilmente reconhecível também favorece o calçado. Mesmo sem logotipos aparentes, a divisão na ponta funciona como uma assinatura visual que permite identificar o modelo rapidamente.
Sua presença constante no universo da moda, porém, mostra que não se trata de uma criação recente. Desde sua estreia no fim da década de 1980, o Tabi passou por diferentes releituras e continuou fazendo parte das coleções da Maison Margiela.
O que mudou foi o alcance. Atualmente, o modelo aparece em uma quantidade maior de referências de estilo e inspirações de looks, permitindo combinações com jeans, alfaiataria, vestidos, saias e outras peças.
Resumo:
O Tabi é um sapato de ponta dividida inspirado nas tradicionais meias japonesas e apresentado por Martin Margiela em sua primeira coleção, em 1988. Décadas depois, o modelo voltou a ganhar destaque e aparece em botas, sapatilhas, mocassins e saltos, dividindo opiniões por causa de seu formato incomum.
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