A maternidade costuma ser cercada de ideias prontas, como se o amor viesse automático e as respostas saíssem junto com o bebê da sala de parto. Existe uma expectativa silenciosa de que toda mulher saberá, instintivamente, o que fazer e que fará escolhas com segurança, leveza e plenitude. Mas, na vida real, ser mãe é um processo vivo. A maternidade é feita de tentativas, descobertas, dúvidas, ajustes constantes e uma transformação profunda que acontece aos poucos, diariamente.
Na edição especial de Mês das Mães, reunimos histórias de quatro mulheres com trajetórias, contextos e vivências muito diferentes entre si. Em comum, elas compartilham a mesma certeza: não existe fórmula pronta quando o assunto é maternidade. Cada experiência é única, atravessada por sentimentos que nem sempre são ditos em voz alta, mas que fazem parte desse universo materno.
Márcia de Andrade
Analista de ouvidoria. Mãe de Fabiane, de 25, e Maria Beatriz, de 13
Márcia se tornou mãe ainda jovem e construiu sua trajetória cercada de desafios. Criou a filha mais velha praticamente sozinha, enfrentando questões delicadas como bullying e ausência paterna. Anos depois, viveu uma nova maternidade, em um contexto completamente diferente, marcado por perdas gestacionais e pelos impactos de um divórcio após 21 anos de casamento.
“Como mãe, carrego o compromisso diário de minimizar essas dores e oferecer segurança emocional”, afirma Márcia. Hoje, ao olhar para as duas filhas, ela reconhece o quanto a maternidade também é atravessada pelas circunstâncias.
“Ser mãe de duas adolescentes em contextos tão diferentes me ensinou que não existe fórmula. Cada fase traz seus próprios desafios, culpas, aprendizados e recomeços. Ser mãe é isso: uma construção diária, imperfeita, intensa. Mas, acima de tudo, cheia de amor e resistência”, relata.

Natália Lopes
Fundadora do Voz das Mães e mãe de Vinícius, 4 anos
Antes de viver a maternidade com o filho Vinícius, Natália enfrentou duas perdas gestacionais, experiências marcadas pelo silêncio e pela falta de acolhimento. Quando a nova gestação chegou, veio acompanhada de esperança, mas também de medo. Com o tempo, descobriu que seria uma mãe atípica. Desde então, vem passando por desafios constantes e uma rotina de adaptações.
Foi nesse processo que encontrou um propósito: criar uma rede de apoio para outras mulheres que também se sentiam invisíveis. “Eu precisava falar sobre o que ninguém falava. Sobre o cansaço, sobre a culpa, sobre o medo, mas também sobre a força que a gente descobre ter”, relata Natália.
“Ninguém me contou que a maternidade também pode ser feita de luto, não só o luto literal, mas o das expectativas. Ninguém fala que você precisa se despedir do que imaginou para conseguir abraçar o que é real. E amar um filho não impede o cansaço, a exaustão, nem os dias difíceis”, reconhece.

Gabriela Herculano de Andrade
Jornalista e mãe de Henrique, 2 anos
Desde antes da gestação, Gabriela já sabia: seria mãe de um menino chamado Henrique. O que começou como intuição virou realidade. Hoje, ela vive uma maternidade guiada pela presença e pelo afeto. Ao lado do marido, acompanha de perto cada fase do desenvolvimento do filho, entendendo que a infância é feita de ciclos que mudam o tempo todo.
“Acredito que fazemos parte de uma geração que não enxerga a criação dos filhos apenas nas necessidades físicas, mas também nas emocionais e espirituais”, conta. Entre as dores e delícias da maternidade, ela aposta na escuta, na paciência e no vínculo emocional como base da criação.
“Como mãe, eu diria: falem menos e sintam mais. Sintam a presença da criança, desfrutem dela sem comparações. Hoje, muitos pais são constantemente expostos a perguntas que geram comparação e cobrança, mas não estamos em uma disputa”, finaliza.

Andrea Mendes
CEO do Grupo Hemocat e mãe de Rafael, 32 anos
Andrea se tornou mãe aos 22 anos, ao mesmo tempo em que construía uma carreira sólida no setor da saúde. Ao longo das décadas, enfrentou desafios duros, do luto pessoal após a perda trágica do pai à liderança em um ambiente predominantemente masculino, enquanto conciliava trabalho, família e desenvolvimento pessoal.
Hoje, com o filho adulto, ela reflete sobre os impactos da maternidade na construção de quem se tornou, reconhecendo que essa jornada vai muito além do cuidado diário: é também sobre identidade, culpa e transformação.
“A maternidade é, de fato, uma jornada de intensa transformação e complexidade. A culpa surge como um imposto invisível da mãe moderna, que precisa trabalhar, cuidar da casa e ainda zelar pela educação dos filhos. Qualquer falha pode provocar esse sentimento. Hoje, sei o quanto os filhos carregam a nossa identidade emocional e o quanto isso irá determinar quem se tornarão e as escolhas que farão na fase adulta”, relata Andrea.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1520, de 8 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
