Ser mãe é uma jornada de descobertas, mas para quem vive a maternidade atípica, o caminho envolve desafios que a maioria das pessoas nem imagina. No Brasil, com cerca de 2,4 milhões de pessoas no espectro autista, a rotina de terapias e consultas exige um esforço monumental. Com toda a certeza, conciliar o crachá com as necessidades de uma criança com TEA (Transtorno do Espectro Autista) é uma das missões mais complexas para as mulheres brasileiras hoje.
Por que a maternidade atípica sobrecarrega a carreira feminina?
Em primeiro lugar, os dados não mentem: 86% dos cuidadores de crianças autistas são mães. Essa concentração de responsabilidade gera um impacto direto no ambiente profissional, já que 70% dos atestados de acompanhamento médico são apresentados por mulheres. Visto que faltam políticas estruturadas nas empresas, muitas profissionais enfrentam o esgotamento ou até o afastamento definitivo do mercado. A maternidade atípica exige uma flexibilidade que o modelo de trabalho tradicional, muitas vezes rígido, ainda custa a oferecer.
Além disso, a saúde mental dessas mães é um ponto de alerta. Segundo o estudo “Cuidando de quem cuida”, da Genial Care, 68% delas relatam não ter tempo algum para si mesmas. De acordo com Thalita Possmoser, vice-presidente da rede, a falta de suporte institucional amplia as desigualdades de gênero. Quando a empresa não oferece empatia, a profissional se vê presa em um ciclo de culpa e exaustão, tentando equilibrar uma tripla jornada que parece não ter fim.

Como as empresas podem apoiar a jornada atípica
Para mudar essa realidade, o mercado precisa evoluir além das campanhas de conscientização. A adoção de horários adaptáveis e o foco em resultados, em vez de apenas presença física, são passos fundamentais. Logo após implementar essas mudanças, as organizações percebem um aumento na lealdade e produtividade. Segundo informações do portal G1, a inclusão real passa por benefícios que considerem os altos custos das terapias e o apoio psicológico contínuo para a família.
Dessa forma, o ambiente corporativo se torna um aliado, reduzindo o estigma e promovendo o bem-estar. Criar redes de apoio internas e capacitar lideranças para entenderem as urgências da maternidade atípica transforma a cultura da empresa. Com efeito, quando uma mãe se sente acolhida em suas particularidades, ela não apenas permanece no emprego, mas contribui para uma organização muito mais resiliente, humana e inovadora para todos.
Resumo: A maternidade atípica impõe barreiras severas no trabalho, com 86% dos cuidados concentrados nas mães. Para evitar a exaustão e a saída dessas mulheres do mercado, as empresas devem adotar flexibilidade de horários, apoio à saúde mental e políticas de inclusão que reconheçam a intensa rotina de terapias do autismo.
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