Mesmo com mudanças profundas nas relações e na forma de demonstrar afeto, o Dia das Mães ainda ocupa um espaço importante para a Geração Z. Uma pesquisa inédita do InstitutoZ revelou que 46% dos jovens dessa geração celebram a data, mostrando que a figura materna continua sendo uma referência afetiva forte.
Ao mesmo tempo, o levantamento também aponta uma relação mais crítica com datas comemorativas. Segundo os dados, 38% questionam esse tipo de celebração, enquanto 33% dizem se incomodar e apenas 23% afirmam gostar dessas ocasiões.
Na prática, o estudo mostra que a Gen Z não abandonou os vínculos afetivos, mas passou a repensar a forma como eles são vividos e representados.
O desconforto não é com o afeto, mas com a obrigação
Entre os principais incômodos relatados pelos jovens está a pressão para consumir. Cerca de 10% afirmam se sentir incomodados com a obrigação de gastar dinheiro em datas comemorativas. Outro ponto citado é a necessidade de conviver com pessoas com quem não existe afinidade, algo mencionado por 8% dos participantes.
Esse comportamento ajuda a explicar por que muitas pessoas dessa geração têm reinterpretado o significado dessas datas. O problema não é exatamente celebrar, mas a sensação de cumprir um roteiro pronto.
A ideia de família também mudou
A pesquisa também revela uma visão mais ampla sobre vínculos familiares. Para muitos jovens, família deixou de ser apenas uma estrutura tradicional e passou a incluir relações construídas pelo afeto e acolhimento. “Acho que deveria ter um Dia da Família, nem todos têm mãe ou pai, família é quem cria e acolhe”, afirmou um dos participantes da pesquisa. Essa mudança reflete uma geração que valoriza conexões mais autênticas e menos baseadas em convenções sociais.
Relações mais honestas e com limites claros
Segundo Luiz Menezes, CEO da Trope-se, a Gen Z cresceu aprendendo a rever relações quando elas deixam de fazer sentido. “Essa geração cresceu aprendendo a ajustar vínculos à medida que eles deixam de fazer sentido. O vínculo não depende da lógica de troca, o que indica que alguns afetos seguem operando fora das regras que organizam o restante das relações”, afirma.
O estudo também mostra que, para esses jovens, relações saudáveis dependem principalmente de respeito aos limites, citado por 44%, e apoio emocional, mencionado por 25%.
O impacto disso no consumo
Essa mudança de comportamento também tem impacto direto nas marcas e no varejo. Datas comemorativas ainda movimentam o mercado, mas a Gen Z tende a rejeitar campanhas que reforçam apenas obrigação de compra ou modelos familiares padronizados.

Segundo o levantamento, existe uma percepção crescente de que muitas dessas datas foram criadas principalmente para incentivar o consumo.
Isso faz com que empresas precisem encontrar formas mais personalizadas e menos engessadas de se comunicar com esse público.
Resumo:dia das Mães
Pesquisa do InstitutoZ mostra que 46% da Gen Z ainda celebra o Dia das Mães, mas muitos jovens questionam a obrigação de consumo e os modelos tradicionais ligados às datas comemorativas. Para essa geração, afeto continua importante, mas com relações mais autênticas e menos baseadas em convenções.
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Lígia Menezes
Lígia Menezes (@ligiagmenezes) é jornalista, pós-graduada em marketing digital e SEO, casada e mãe de um menininho de 5 anos. Autora de livros infantis, adora viajar e comer. Em AnaMaria atua como editora e gestora. Escreve sobre maternidade, família, comportamento e tudo o que for relacionado!
