Julho chegou, mas as festividades seguem vivas e ainda dá para aproveitar o convite difícil de recusar: dançar quadrilha, disputar uma pescaria improvisada ou simplesmente rir ao lado de quem a gente gosta. Para muitas famílias, a festa junina é um dos momentos mais afetivos do ano. Isso porque a celebração junina vai muito além da saudade dos tempos de infância.
Segundo o psicólogo Lucas Freire, especialista na Ciência do Playfulness e autor do livro Playfulness: Trilhas para uma vida resiliente e criativa, o sucesso dessas celebrações está diretamente ligado ao poder do brincar. Mais do que entretenimento, as experiências lúdicas ajudam a construir memórias, fortalecer relações e até desenvolver habilidades importantes para a vida.
Por que brincar faz tão bem?
As festas juninas reúnem, em um único espaço, diferentes formas de brincar: música, dança, culinária, criatividade e convivência. Tudo isso cria um ambiente propício para o cérebro registrar momentos significativos. “Brincar não é o que a gente faz quando sobra tempo. É parte de como o cérebro se constrói”, diz Lucas em entrevista à AnaMaria.
De acordo com o especialista, durante atividades lúdicas o organismo libera substâncias relacionadas ao prazer, ao vínculo social e ao bem-estar, como dopamina ou oxitocina. Não por acaso, tantas lembranças de infância estão associadas a quermesses, quadrilhas e brincadeiras de São João.
E o mais interessante é que esse sistema não desaparece na vida adulta. Ele continua ativo, mesmo que muitas vezes seja deixado de lado pela rotina corrida.

Brincadeira não tem idade!
Se as crianças aprendem brincando, os adultos também se beneficiam quando entram na diversão. Para Lucas, participar das atividades, e não apenas observá-las, faz diferença para toda a família. “Brincar não é coisa de criança. Brincar é coisa de gente viva”, afirma.
Quando pais, mães, avós e adolescentes entram na brincadeira, criam um ambiente mais acolhedor e descontraído. Além disso, mostram às crianças que errar, cair, tentar novamente e rir de si mesmo faz parte da experiência.
O especialista destaca que o brincar ajuda a desenvolver habilidades sociais importantes, como lidar com frustrações, respeitar regras, negociar combinações e conviver em grupo. E tudo isso acontece de forma natural, sem parecer uma lição.
Até os adolescentes, que muitas vezes se consideram “grandes demais” para brincar, podem encontrar seu espaço. Uma boa estratégia é convidá-los para assumir funções na festa, como organizar jogos, narrar a quadrilha ou criar desafios para os participantes.
Como improvisar um arraiá em casa
Mas se engana quem pensa que é preciso investir muito dinheiro para criar uma festa especial. A imaginação costuma ser mais importante do que os materiais. Veja algumas ideias simples para montar um arraial caseiro:
Pescaria caseira: recorte peixinhos em papelão ou cartolina e faça um pequeno furo em cada um. Com barbante, prendedores de roupa e uma vareta improvisada, monte as “varinhas”. Espalhe os peixes pelo chão e escreva pequenos prêmios ou desafios divertidos no verso, como cantar uma música junina ou escolher a próxima brincadeira.
Corrida da fronha: se não houver sacos disponíveis, fronhas de travesseiro funcionam perfeitamente. Delimite uma linha de largada e outra de chegada com fita adesiva ou objetos da casa. Para incluir crianças menores, diminua a distância ou transforme a disputa em um circuito com obstáculos simples.
Jogo de argolas: posicione garrafas PET vazias em diferentes distâncias e atribua pontuações para cada uma. As argolas podem ser feitas com papelão, rolos de fita adesiva ou até pratos descartáveis coloridos com o centro recortado. A brincadeira pode ficar mais divertida com desafios em equipe.
Dança das cadeiras: troque as músicas tradicionais por forró, sertanejo raiz ou clássicos de festa junina. Para evitar frustrações entre os menores, uma alternativa é retirar as cadeiras, mas não eliminar os participantes. Quem ficar sem lugar cumpre uma tarefa divertida antes de voltar ao jogo.
Correio elegante: disponibilize papéis coloridos, canetas e uma caixa decorada para receber os bilhetes. As mensagens podem ser carinhosas, engraçadas ou de agradecimento, incentivando a interação entre crianças, adolescentes e adultos.
O segredo está em não transformar a brincadeira em uma competição excessivamente rígida. “Quanto menos rígida a regra, mais espaço sobra para o improviso, e o improviso é o lugar exato onde o brincar mora”, diz Lucas.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1526, de 19 de junho de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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