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Evite atitudes clássicas de um divórcio que podem prejudicar as crianças

Mesmo com os pais presentes, conflitos ou afastamento podem comprometer o bem-estar emocional dos filhos, alerta psicóloga perinatal

Lígia Menezes Por Lígia Menezes
17/06/2025
Em Família/Filhos
Brigas e divórcio: como isso afeta o psicológico das crianças? Foto: FreePik

Brigas e divórcio: como isso afeta o psicológico das crianças? Foto: FreePik

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A separação dos pais, por si só, não é motivo automático de trauma na infância. O problema está na forma como esse processo é conduzido. Quem explica é a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline: “É melhor que a criança perceba que seus pais estão melhores separados do que viver num ambiente de brigas, tristeza ou tensão”, diz.

Segundo dados do IBGE, o Brasil registrou mais de 440 mil divórcios em 2023, um aumento de 4,9% em relação ao ano anterior. Com tantas famílias vivendo esse tipo de transição, entender o impacto nas crianças se tornou ainda mais urgente.

Conflito, afastamento e alienação: os verdadeiros vilões

A especialista alerta que o sofrimento das crianças não está ligado à separação em si, mas à quebra da relação parental. “Se a criança deixa de ver um dos genitores ou é colocada no meio das brigas, isso pode afetar sua saúde mental. O que acaba é a relação de casal, mas o amor pelos filhos continua. A separação precisa ser entre os dois adultos, não entre pais e filhos”, explica.

Ela lembra que, nas décadas de 1990 e 2000, muitas crianças cresceram cercadas por separações mal resolvidas, com brigas constantes e pouco preparo emocional dos adultos. O resultado foi uma geração marcada por inseguranças afetivas e vínculos frágeis com um dos genitores.

Atitudes que devem ser evitadas durante o divórcio

Segundo Rafaela, há comportamentos bastante comuns em processos de separação que causam sofrimento emocional nas crianças. Entre eles:

  • Falar mal do(a) ex-parceiro(a) na frente da criança

  • Usar o filho como “mensageiro” entre os pais

  • Reduzir ou impedir o contato com um dos genitores sem justificativa real

  • Transformar a guarda em instrumento de disputa ou vingança

Por outro lado, um divórcio respeitoso e com guarda compartilhada pode preservar o bem-estar da criança. “O ideal é que a criança continue convivendo com ambos os pais com frequência, sentindo-se amada e segura”, reforça.

Como identificar se a criança está sofrendo?

Mudanças de comportamento são o principal sinal de alerta. “A criança pode não dizer com palavras, mas sente. Ela percebe a ausência, se pergunta por que não vê mais aquele pai ou mãe. Isso precisa ser acolhido com cuidado”, orienta a psicóloga.

Entre os sinais que merecem atenção:

  • Tristeza persistente

  • Irritabilidade acima do comum

  • Regressões no comportamento (voltar a fazer xixi na cama, por exemplo)

  • Dificuldade de interação com um dos pais

  • Queda no rendimento escolar

Em casos assim, o acompanhamento psicológico pode ajudar a criança a elaborar a situação com mais segurança emocional. “O apoio profissional faz toda a diferença, inclusive para ajudar os pais a conduzirem esse processo de forma mais consciente”, conclui Rafaela.

Resumo:
A separação dos pais não precisa ser traumática, mas a forma como ela é conduzida pode afetar — e muito — a saúde emocional da criança. Evitar brigas, afastamentos e disputas ajuda a proteger os filhos e garantir vínculos afetivos saudáveis mesmo após o divórcio.

Leia também:

Como declarar a partilha de bens pós-divórcio no IR?

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Tags: brigasdivórciofilhossaúde mental
Lígia Menezes

Lígia Menezes

Lígia Menezes (@ligiagmenezes) é jornalista, pós-graduada em marketing digital e SEO, casada e mãe de um menininho de 5 anos. Autora de livros infantis, adora viajar e comer. Em AnaMaria atua como editora e gestora. Escreve sobre maternidade, família, comportamento e tudo o que for relacionado!

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