Tem fases da infância em que tudo parece virar motivo para conflito. Um “não” para qualquer pedido, crises no meio do mercado, brinquedos no chão, explosões de ciúme e até conversas com amigos invisíveis podem deixar pais, mães e cuidadores inseguros. Mas, afinal, esses comportamentos são motivo para preocupação?
“A infância é um período de descobertas intensas. Muitos comportamentos que parecem inadequados aos olhos dos responsáveis são sinais de que o desenvolvimento está acontecendo de forma natural”, explica Jacqueline Cappellano, psicopedagoga e coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville.
Na primeira infância, o corpo fala antes das palavras
Dos 0 aos 3 anos, a criança ainda está descobrindo o mundo. Como a linguagem e o autocontrole ainda estão em formação, muitas emoções acabam aparecendo em atitudes físicas e impulsivas.
Comportamentos típicos dessa fase:
- Morder ou bater para demonstrar frustração;
- Fazer birras intensas;
- Jogar objetos repetidamente no chão;
- Dizer “não” para tudo.
Empurrar, bater ou jogar objetos, por exemplo, costuma assustar os adultos, mas ainda não representa agressividade estruturada. Nessa etapa, a criança usa o corpo para comunicar sentimentos que ainda não consegue nomear.
Já as birras fazem parte do processo de construção da autonomia. A criança começa a perceber que tem vontades próprias, mas ainda não sabe lidar bem com frustrações e limites.
Nesses momentos, é importante não recorrer a gritos, humilhações ou ameaças. Permanecer por perto, falar com calma e sustentar os limites de forma coerente costuma trazer mais resultado do que transformar a situação em uma disputa de poder.
Dos 4 aos 5 anos, imaginação e emoções ficam mais intensas
Na fase pré-escolar, a linguagem, o faz de conta e as interações sociais ganham espaço. É quando surgem histórias inventadas, brincadeiras agitadas e a necessidade de pertencimento.
O que costuma aparecer nessa idade:
- Amigos imaginários;
- Mentiras fantasiosas;
- Repetição de palavrões;
- Brincadeiras de luta ou super-herói;
- Ciúme intenso.
O amigo imaginário, tão comum nessa fase, costuma preocupar famílias, mas não há motivo para pânico. A imaginação funciona como ferramenta importante para a criança elaborar sentimentos, medos e situações do cotidiano. Por isso, é comum que fantasia e realidade ainda se misturem. Nem toda história inventada deve ser encarada como mentira proposital.
As brincadeiras de luta e super-herói também aparecem com frequência na fase pré-escolar. Embora muitos adultos associem esse tipo de brincadeira à agressividade, elas ajudam no aprendizado de limites, regras e controle de impulsos.
O ciúme intenso também pode surgir nessa fase, especialmente entre irmãos. Em vez de comparações, o mais indicado é reforçar vínculos e garantir momentos individuais de atenção e acolhimento.

Entre 6 e 12 anos, surgem comparações e questionamentos
No período entre a infância e a pré-adolescência, a criança passa a organizar melhor o pensamento e construir sua identidade a partir das relações sociais. Embora seja uma fase geralmente mais tranquila, ainda há desafios emocionais importantes.
Comportamentos comuns nessa etapa:
- Falar sozinho;
- Interesse intenso por um assunto específico;
- Vergonha ou retraimento temporário;
- Comparações constantes com colegas;
- Questionamentos sobre regras e autoridades.
Falar sozinho, por exemplo, pode ajudar na organização do pensamento e na resolução de problemas. Já os interesses intensos por determinados temas costumam fortalecer autoestima, memória e concentração.
Também é comum que a criança passe a se comparar mais com colegas, principalmente no ambiente escolar. Neste momento, reforçar apenas desempenho e competição pode aumentar inseguranças. “Valorize o esforço individual e evite reforçar competição excessiva”, orienta.
Os questionamentos sobre regras e autoridades também fazem parte do amadurecimento cognitivo. Em vez de interpretar tudo como desafio ou desobediência, a recomendação é transformar essas conversas em oportunidades de diálogo.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1523, de 29 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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