O Espiritismo e os Transexuais
Antes de prosseguir com o tema, vamos deixar bem clara uma questão axiomática: espírito não tem sexo.
Posto isso, vamos discorrer então, sobre como a Doutrina Espírita vê o comportamento das pessoas que nascem com determinadas características biológicas que as enquadram como masculino ou feminino e, a partir de determinado momento, que varia de pessoa para pessoa, por não se identificarem emocionalmente (e eu diria espiritualmente) com o sexo biológico, decidem realizar o que se chama de transição.
Apesar das limitações da medicina ainda não conseguirem realizar a mudança integralmente, o que importa e o que se deve levar em consideração é a vontade da pessoa que se manifesta de várias formas, hoje amplamente amparadas pelo nosso ordenamento jurídico, dando aos transexuais os mesmos direitos concernentes ao sexo assumido.
Essa é a visão da Lei. E como o Espiritismo vê isso?
Nós espíritas, reencarnacionistas por definição, cremos que, em virtude de nossas ações no passado e de provações e desafios programados para o futuro, retornamos à experiência na matéria com as condições necessárias para o desenvolvimento dessa programação, o que inclui a família, compleição física, ambiente socio econômico e também sexo biológico.
Embora seja uma programação proveniente do Plano Espiritual, não quer dizer que seja inflexível, que não possa haver mudanças de todas as ordens a partir do exercício do livre arbítrio do reencarnante, ao contrário: são raros os casos de cumprimento integral do plano reencarnatório.
Muitos retornam com compromissos de casamento e não se casam; outros comprometem-se a receber tantos filhos e estabelecem um limite diferente; aqueloutros comprometem-se com tarefas em determinado campo profissional e decidem por outros caminhos. Pode não ser o exatamente proposto, mas a avaliação final será de mérito e não de forma.
O espírito é livre para conduzir sua encarnação conforme lhe aprouver, todavia, ele assumirá as consequências de tudo o que for contrário à Lei de Deus, escrita na consciência de cada um, como descrito no ”Livro dos Espíritos”.
E o que é contrário à Lei de Deus? Não é possível descrever integralmente, mas dá para dizer o que não é: amor, respeito, caridade, tolerância, benevolência, indulgência, perdão, nada disso é contrário à Divina Legislação, de modo que o que se regista na “contabilidade espiritual” não é o rótulo, a aparência, mas o sentimento e o que se faz de bom para si mesmo, para o semelhante, para a sociedade e para a natureza.
Houve no final dos anos 80 do século passado, uma travesti de nome Brenda Lee, que criou a primeira casa na América Latina de acolhimento à população LGBT com HIV, um refúgio para quem era expulso de casa ou sofria violência nas ruas. Um exemplo maravilhoso com repercussão internacional.
Brenda Lee nasceu homem. Tornou-se mulher. Nasceu pequena, tornou-se gigante. Eu acho que é o que Deus quer de nós.
Edson Sardano
