Jade, Atena, Clara e delegada Helô ajudaram o público a conhecer Giovanna Antonelli. Ao longo de sua carreira, ela participou de mais de 20 novelas e mais de 30 trabalhos, entre filmes, seriados e minisséries. Ao avaliar sua trajetória, ela não esquece dos momentos difíceis: “Acho que o maior ensinamento é a capacidade de me reinventar”, analisa.
Giovanna acabou de completar 50 anos – e não se importa com a pressão que a chegada dessa idade costuma implicar. “Para mim, chegar aos 50 é muito mais sobre celebração”, diz.
Hoje, além de atriz, ela também assume uma carreira multifacetada com papéis tão importantes quanto aqueles que interpretou. Giovanna também é empresária, palestrante e influenciadora. “Quando você faz coisas que te movem, a energia aparece para dar conta”.
Em 2026, ela colhe ainda frutos de outro trabalho, o filme ‘Rio de Sangue’, que estreou dia 16 de abril nos cinemas. A trama conta a história de uma mãe no resgate de sua filha raptada por garimpeiros. “Acho que toda mãe se identifica com esse instinto de proteção quase visceral”. Por falar em instinto materno, a atriz tem assistido de camarote a preparação do filho, Pietro Antonelli, para estrear na próxima novela das nove da Globo, ‘Quem Ama Cuida‘, de por Walcyr Carrasco. “Meu papel é estar ali como mãe, lembrando sempre da importância de manter os pés no chão”, conclui.
AnaMaria: Este ano, você completou 50 anos de idade. Para você, existe um certo tipo de pressão em envelhecer?
Giovanna Antonelli: Eu encaro o tempo de uma forma muito positiva. Cada fase da vida traz um tipo diferente de potência, de consciência, de liberdade. Hoje eu me sinto muito mais segura de quem eu sou, do que quero e do que não quero também. Então, para mim, chegar aos 50 é muito mais sobre celebração do que sobre pressão.
AM: Entre os ônus e os bônus da carreira, como você avalia sua trajetória até aqui? Teve algo que se destacou e levou para a vida como ensinamento?
GA: Eu sou muito grata por tudo que vivi até aqui. Claro que uma carreira longa tem desafios, momentos difíceis, escolhas importantes, mas acho que o maior ensinamento é a capacidade de me reinventar. Aprendi que longevidade nessa profissão passa muito por isso: continuar curioso, aberto, disposto a aprender sempre.
AM: O que você aprendeu com a idade que gostaria que a Giovanna mais nova soubesse?
GA: Talvez confiar mais no tempo das coisas. Quando a gente é mais jovem, queremos que tudo aconteça muito rápido. Hoje eu entendo que cada fase tem o seu valor e que muitas respostas vêm justamente com a maturidade.

AM: Pietro está se preparando para estrear em sua primeira novela das nove. Você, como mãe, teme algo por ele nesse meio?
GA: A gente sempre fica atento, porque é um ambiente muito exposto e exige maturidade emocional. Mas também vejo o Pietro muito consciente, muito dedicado, estudando, se preparando. Então, meu papel é estar ali como mãe, apoiando e lembrando sempre da importância de manter os pés no chão.
AM: Como atriz de longa data, também chega a dar dicas para ele sobre carreira, atuação ou até como sobreviver no meio artístico?
GA: A gente conversa bastante, mas tento respeitar muito o processo dele. Cada artista precisa encontrar o seu próprio caminho. O que eu sempre digo é para ele se preparar, estudar, respeitar o trabalho e entender que essa é uma profissão que exige muita disciplina.
AM: ‘Beleza Fatal’ foi um sucesso e uma grande aposta para o universo da teledramaturgia e do streaming. Você tinha noção que a produção tomaria essa proporção quando aceitou o papel?
GA: A gente sempre torce para que um projeto alcance o público, mas é impossível prever uma repercussão tão grande. Beleza Fatal tinha uma história muito forte, uma produção incrível e um elenco muito comprometido. Acho que, quando todos esses elementos se encontram, o resultado acaba chegando com muita potência.
AM: A 2ª temporada de ‘Beleza Fatal’ foi confirmada. Como você acha que a história de Elvira poderia se desenrolar na sequência? O que a personagem significa para você?
GA: A Elvira é uma personagem muito intensa e cheia de camadas. Acho que ainda existem muitos caminhos interessantes para explorar. Ela me marcou muito, porque é uma mulher extremamente forte, complexa, e interpretar personagens assim sempre é muito instigante.
AM: Você já disse em outras entrevistas que Beleza Fatal foi a primeira novela que seus filhos assistiram. Eles cresceram sem ter conhecimento da fama dos pais? Como você fez para manter esse equilíbrio entre a vida pessoal e profissional para eles?
GA: Sempre tentei preservar muito a infância deles. Em casa, a gente sempre buscou ter uma vida o mais normal possível. Eles cresceram entendendo que o trabalho faz parte da minha vida, mas sem que isso fosse o centro de tudo. Acho que esse equilíbrio foi muito importante.
AM: ‘Rio de Sangue’ está prestes a estrear no cinema e a sua personagem, a Patricia, é uma mãe forte que move mundos para encontrar a filha. Quais foram as características dela que mais te chamaram atenção? Você se identifica com alguma?
GA: O que mais me tocou na Patricia foi essa força que nasce do amor. Ela é uma mulher colocada numa situação extrema e, quando a vida de um filho está em risco, não existe limite para o que uma mãe é capaz de fazer. Como mãe, isso me toca profundamente. Acho que toda mãe se identifica com esse instinto de proteção quase visceral.
AM: Como foi construir essa química de mãe e filha com a Alice Wegmann?
GA: A Alice é uma atriz muito talentosa e muito generosa em cena, então, essa troca aconteceu de forma muito natural. A gente conversou bastante antes das gravações sobre a relação das personagens, sobre o vínculo entre mãe e filha, e isso ajudou muito a construir uma verdade ali.
AM: Você tem uma carreira marcada por personagens fortes na TV. Alguma experiência anterior em novela te ajudou a acessar essa intensidade dramática?
GA: A televisão me deu uma bagagem muito grande como atriz. A novela tem um ritmo intenso e muitas vezes exige que a gente atravesse emoções muito profundas em pouco tempo. Essa experiência ajuda muito quando você vai para um filme como ‘Rio de Sangue’, que também pede um mergulho emocional grande. Cada personagem que fiz foi me preparando de alguma forma.

AM: Você é uma pessoa que fala abertamente sobre religião. Como seria a Giovanna sem a fé?
GA: A fé é uma base muito importante na minha vida. Ela me dá equilíbrio, me ajuda a manter a serenidade nos momentos difíceis e também a ter gratidão nos momentos bons. Eu realmente não consigo imaginar minha vida sem essa conexão espiritual.
AM: Hoje, além de atriz, você também é empresária, palestrante e ainda sobra tempo para produzir conteúdo para a internet. O que te motivou a seguir nessas outras vertentes e qual o segredo para dar conta de tudo?
GA: Sempre fui uma pessoa muito inquieta e curiosa. Gosto de me desafiar em diferentes áreas, aprender coisas novas, empreender. Claro que exige organização e uma equipe muito boa ao meu lado. Mas, acima de tudo, acho que quando você faz coisas que realmente te movem, a energia aparece para dar conta.
AM: Ao longo da sua carreira, você já fez por volta de 20 novelas, um número considerado grande para os dias de hoje. Você sente que a sua relação com o trabalho mudou? Hoje em dia, o que te faz aceitar um papel?
GA: Mudou bastante. Hoje eu escolho projetos que realmente me provoquem artisticamente ou que tenham uma história que me toque de alguma forma. Depois de tantos anos de carreira, acho que a gente passa a buscar personagens que tragam novos desafios.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1514, de 3 de abril de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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