A relação entre humanos e animais mudou drasticamente nas últimas décadas. Atualmente, o Brasil possui cerca de 160 milhões de animais de estimação, segundo dados do Instituto Pet Brasil. Por esse motivo, o Congresso Nacional aprovou uma nova legislação que altera a forma como o Judiciário lida com esses seres em casos de divórcio. Agora, a guarda compartilhada de pets torna-se uma realidade jurídica, refletindo a importância afetiva que os animais possuem nas famílias modernas, muitas vezes ocupando o lugar de filhos. E essa lei foi tamanha sensação, que foi parar até nos jornais lá de fora.
Essa mudança responde ao aumento de disputas judiciais pela posse de animais após o fim de relacionamentos. Antes, a Justiça tratava cães e gatos como objetos inanimados, mas a nova lei reconhece que eles são membros do núcleo familiar. Se o casal não chegar a um acordo amigável, um juiz determinará a guarda compartilhada de pets e a distribuição equilibrada das despesas de manutenção. Entretanto, o benefício só vale se o animal viveu a maior parte da vida com a dupla e não será concedido se uma das partes tiver histórico de violência doméstica ou antecedentes criminais.
Como funciona a guarda compartilhada de pets na prática?
O objetivo principal da lei é garantir o bem-estar do animal e o direito de convivência de ambos os tutores. Em primeiro lugar, o magistrado analisa quem possui melhores condições de oferecer cuidados e carinho. Analogamente ao que ocorre com filhos humanos, a custódia de animais envolve responsabilidades mútuas. O Brasil segue, assim, o exemplo de países como a França e a Espanha, que já consideram os pets como “seres vivos dotados de sensibilidade” em vez de meras mercadorias.
Além disso, a legislação foca na proteção contra o abandono e na garantia de que as necessidades básicas, como alimentação e saúde, recebam o suporte financeiro de ambos. Consequentemente, a custódia de animais deixa de ser uma disputa de posse para se tornar um arranjo de cuidado coletivo. De fato, casais com menos filhos tendem a desenvolver laços ainda mais estreitos com seus bichos, o que justifica a intervenção do Estado para assegurar essa continuidade afetiva após a separação.

O impacto da decisão na sociedade brasileira
A aprovação desse texto representa um avanço civilizatório necessário. Uma vez que a sociedade evoluiu, as leis precisavam acompanhar essa nova configuração familiar. Atualmente, o Reino Unido e a Austrália ainda enfrentam dificuldades jurídicas por não possuírem regras tão claras quanto as brasileiras. Por fim, o reconhecimento do pet como um ser que sente e sofre com o afastamento dos donos humaniza o processo de divórcio, tornando-o menos traumático para todos os envolvidos.
Resumo: O Brasil aprovou uma nova lei que permite a juízes determinarem a guarda compartilhada de animais de estimação em divórcios. A regra visa equilibrar gastos e garantir a convivência, reconhecendo os pets como membros da família, desde que não haja histórico de violência.
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