Uma professora de artesanato viveu uma situação que parecia inacreditável: após desconfiar de alterações na própria garrafa de água, ela instalou uma câmera e registrou a suspeita colocando um material no recipiente. O caso de envenenamento em Pernambuco, detalhado pelo Fantástico no último domingo (19), ganhou um novo capítulo após exames confirmarem a presença de mercúrio na água e no organismo da vítima.
As imagens gravadas entre os dias 3 e 5 de junho de 2025 pela própria vítima mostram Maria Aparecida Rodrigues de Araújo mexendo na garrafa e despejando um material em seu interior. Laudos periciais confirmaram a presença de mercúrio na água e também no sangue e na urina da professora. A suspeita responde à investigação por tentativa de homicídio, mas o inquérito ainda não foi concluído.
Fantástico detalha investigação do caso
O caso começou em um espaço de artesanato instalado no estacionamento do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife. Denny atuava como professora voluntária e conheceu Maria Aparecida durante as aulas. A investigada acompanhava o filho em tratamento médico e frequentava o curso.
Segundo a vítima, a aluna lhe presenteou com uma garrafa de água reutilizável, utilizada diariamente por cerca de dois meses. Nesse período, Denny percebeu alterações na bebida, como bolhas e gosto diferente, mas atribuiu o problema a fatores comuns.
A suspeita surgiu quando a professora flagrou Maria Aparecida manipulando a garrafa durante uma aula. Depois disso, ela decidiu instalar um celular escondido para registrar o que acontecia. As gravações mostram a investigada colocando um material dentro do recipiente, agitando a água e deixando o local.

Com as imagens em mãos, Denny procurou a Polícia Civil. A perícia identificou mercúrio nas duas garrafas analisadas. Os exames laboratoriais também detectaram o metal tóxico no organismo da professora, com níveis aproximadamente quatro vezes superiores ao limite considerado tolerável.
O mercúrio é um metal altamente tóxico e pode causar danos ao cérebro, rins, pele e sistema digestivo. Desde 2019, o uso da substância em termômetros foi proibido no Brasil devido aos riscos à saúde.
Professora enfrenta sequelas enquanto investigação continua
A suposta intoxicação por mercúrio mudou completamente a rotina de Denny. Em entrevista, ela contou que ainda sofre com dores intensas, perda de força nas mãos, dificuldade para caminhar e limitações para realizar tarefas simples dentro de casa.
A professora explicou que, inicialmente, acreditou que o agravamento dos sintomas estivesse relacionado à fibromialgia, diagnosticada em 2016. No entanto, sua reumatologista descartou essa hipótese ao perceber que o quadro clínico não era compatível com a doença.
Segundo a Polícia Civil, a principal linha investigativa aponta que o crime pode ter sido motivado por ciúmes da amizade entre a vítima e o namorado da investigada. A defesa de Maria Aparecida afirma que ela possui transtornos mentais e está em tratamento, mas, de acordo com o delegado responsável, ainda não foram apresentados documentos que comprovem esse diagnóstico.
Mais de um ano após as gravações, o caso continua sem conclusão. A defesa da professora cobra agilidade, enquanto a polícia afirma que busca reunir mais elementos para sustentar eventual responsabilização criminal.
Revolta toma conta das redes sociais
A reportagem do Fantástico também provocou repercussão nas redes sociais. Muitos internautas demonstraram indignação com a demora na conclusão da investigação, destacando que vídeos, exames laboratoriais e laudos periciais já integram o processo.
Comentários classificaram a situação como “surreal” e questionaram por que a suspeita ainda não foi presa, diante das evidências já divulgadas. Enquanto isso, Denny segue em tratamento e afirma manter a esperança de recuperar a independência.
Resumo: Uma reportagem do Fantástico revelou novos detalhes do caso da professora intoxicada por mercúrio em Pernambuco. Exames confirmaram a presença do metal na água e no organismo da vítima, que gravou a suspeita adulterando sua garrafa. Mesmo com as evidências, a investigação ainda não foi concluída.
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