Apesar de ser um processo natural do corpo, a menstruação ainda expõe desigualdades profundas. No Brasil, muitas jovens convivem com a falta de recursos básicos — o que evidencia a importância de discutir dignidade menstrual de forma aberta.
Para se ter uma ideia da dimensão do problema, uma pesquisa de 2024 do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelou que 37% de adolescentes e jovens que menstruam têm dificuldades de acesso a itens de higiene em escolas ou locais públicos. Além disso, 19% afirmaram não ter dinheiro para comprar absorventes.
Ou seja, o debate sobre absorvente gratuito responde a uma realidade urgente e ainda pouco discutida.
Dignidade menstrual: o que significa na prática?
A dignidade menstrual vai além do acesso ao absorvente. Na prática, ela envolve uma combinação de fatores: acesso à água, saneamento, informação e produtos adequados. Quando esses elementos faltam, surge a chamada pobreza menstrual.
O impacto vai muito além do desconforto. Segundo o UNICEF, cerca de 6 em cada 10 jovens já deixaram de ir à escola ou ao trabalho por causa da menstruação.
Outro ponto importante é a desinformação. Quase metade dos participantes da pesquisa afirmou nunca ter tido aulas ou conversas sobre o tema. E esse silêncio reforça o constrangimento: 77% já se sentiram envergonhados por menstruar.
Portanto, falar sobre dignidade menstrual também significa quebrar o tabu e ampliar o acesso à informação.

Absorvente gratuito: quem tem direito e como acessar
O acesso ao absorvente gratuito faz parte de uma política pública voltada a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Têm direito ao benefício, por exemplo, estudantes da rede pública de ensino inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), pessoas em situação de rua e aquelas em situação de extrema pobreza.
Para conseguir o absorvente gratuito, é necessário ter um cadastro ativo no CadÚnico e apresentar o CPF. Em alguns casos, também pode ser preciso emitir uma autorização por meio do aplicativo ou site do programa. Depois disso, a retirada ocorre em farmácias credenciadas ao programa Farmácia Popular do Brasil.
O governo estabelece uma quantidade mensal de absorventes distribuídos por pessoa, conforme as regras do programa. Ainda assim, embora o absorvente gratuito ajude a suprir uma necessidade imediata, especialistas reforçam que a dignidade menstrual depende também de acesso à informação, saneamento básico e ambientes adequados para higiene.
Falar sobre o problema é parte da solução
A discussão sobre dignidade menstrual cresce porque toca em direitos fundamentais. Afinal, quando uma pessoa não consegue lidar com o próprio ciclo de forma digna, outros direitos também ficam comprometidos, como educação e saúde.
Além disso, o tema ainda carrega estigmas. No entanto, quanto mais se fala sobre menstruação, mais espaço se abre para políticas públicas eficazes e mudanças sociais reais.
Resumo: A dignidade menstrual envolve acesso à higiene, informação e respeito. Dados mostram que muitas jovens ainda enfrentam dificuldades básicas. O absorvente gratuito ajuda, mas não resolve o problema sozinho.
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