Motoristas que tentam pagar o pedágio eletrônico podem estar caindo em uma armadilha digital cada vez mais sofisticada. Uma investigação da Kaspersky identificou uma campanha criminosa que já criou mais de 50 sites falsos para simular cobranças do sistema Free Flow, modelo de pedágio sem cancelas adotado em rodovias brasileiras. O objetivo é simples: convencer a vítima a fazer um pagamento via Pix que vai direto para contas usadas pelos golpistas.
Como o golpe começa
Segundo a empresa de cibersegurança, a fraude geralmente tem início quando o motorista busca no Google ou em redes sociais termos como “pagar pedágio eletrônico” ou “débito Free Flow”. Os criminosos investem em anúncios patrocinados para garantir que seus links apareçam entre os primeiros resultados.
Ao clicar, o usuário é direcionado a páginas que imitam visualmente plataformas legítimas de concessionárias ou serviços de pagamento. Os endereços dos sites são muito parecidos com os oficiais, o que dificulta a identificação do golpe.
Dados reais para ganhar confiança
Um dos pontos que mais chamam atenção é o uso de informações verdadeiras. Ao inserir a placa do veículo, o site falso exibe dados reais do carro e apresenta um suposto débito em aberto. O valor cobrado costuma ser baixo, semelhante ao de um pedágio comum, o que reduz a desconfiança e acelera a decisão de pagamento.
Para o usuário, tudo parece normal: valor pequeno, informações corretas e aparência profissional. É justamente essa combinação que torna o golpe mais eficaz.
Para onde vai o dinheiro
O pagamento é feito via Pix, mas o destino não tem nenhuma relação com concessionárias ou órgãos oficiais. De acordo com a Kaspersky, o dinheiro é enviado para contas de “laranjas”, geralmente abertas em fintechs. O nome do recebedor muda com frequência, estratégia usada para dificultar o rastreamento e o bloqueio dos valores.
Por que o golpe funciona tão bem
Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina e Europa, explica que os criminosos se aproveitam da novidade do sistema. “O golpe do Free Flow é um exemplo claro de como os criminosos se adaptam rapidamente a novas tecnologias para criar armadilhas eficazes. Eles usam anúncios pagos para chegar primeiro às vítimas e manipulam a confiança das pessoas com valores baixos e dados reais dos veículos”, afirmou em material divulgado pela empresa.
Como se proteger
A principal orientação é nunca confiar apenas no resultado exibido em buscadores ou redes sociais. Antes de qualquer pagamento, é fundamental conferir se o site pertence à concessionária responsável pelo trecho da rodovia. Outro cuidado essencial é verificar o destinatário do Pix antes de concluir a transação.
Concessionárias costumam divulgar canais oficiais de consulta e pagamento em seus próprios sites e aplicativos. Quando houver dúvida, a recomendação é buscar essas informações diretamente na página oficial da empresa ou entrar em contato pelos canais de atendimento.
Resumo: Criminosos criaram mais de 50 sites falsos para simular cobranças do pedágio eletrônico Free Flow e enganar motoristas. Usando anúncios pagos, dados reais de veículos e valores baixos, o golpe leva vítimas a fazer pagamentos via Pix para contas fraudulentas. Especialistas alertam para a importância de conferir o endereço do site e o destinatário do pagamento antes de concluir qualquer transação.
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