A recente queda do dólar animou o mercado financeiro e trouxe reflexos diretos para o dia a dia das famílias brasileiras. Em um mesmo movimento, a moeda norte-americana atingiu o menor valor em 20 meses, enquanto a bolsa de valores superou a marca inédita de 180 mil pontos. Logo nos primeiros impactos, o consumidor pode sentir alívio nos preços e mais fôlego na economia doméstica — mas especialistas alertam: esse cenário pode não durar.
Na terça-feira (27), o dólar comercial fechou a R$ 5,206, com queda de 1,41% no dia. Ao mesmo tempo, o Ibovespa encerrou aos 181.919 pontos, em alta de 1,79%. Esse ambiente positivo resulta de uma combinação entre fatores externos e internos que influenciam diretamente o bolso do brasileiro.
Queda do dólar: o que explica esse movimento recente?
O movimento recente da queda do dólar está ligado, em grande parte, ao cenário global. Investidores internacionais passaram a reduzir a exposição aos Estados Unidos e buscar mercados emergentes. Isso aconteceu, principalmente, após as tensões geopolíticas entre os EUA e a Europa.
Segundo o economista e doutor em Relações Internacionais Igor Lucena, esse contexto ajuda a explicar o fluxo de capital para o Brasil. “A queda do dólar tem impacto na vida das pessoas, mas não dá para garantir que vai continuar. O presidente Donald Trump deixou claro que não se preocupa com a desvalorização da moeda, porque pensa em um país mais exportador. Apesar disso, a perda de força do dólar afeta negativamente os próprios americanos”, explica.
Além disso, o especialista destaca que o Brasil se tornou atrativo por manter juros elevados. “Como o Banco Central brasileiro provavelmente não vai iniciar um ciclo de queda de juros agora, o país acaba funcionando como um porto seguro”, diz Igor, que também apresenta o podcast Lucena Explica, no Spotify.
Dólar mais barato e os efeitos diretos na economia doméstica
Para quem cuida da economia doméstica, a queda do dólar traz efeitos práticos. Muitos produtos consumidos no Brasil dependem de insumos importados ou têm preços atrelados à moeda americana. Por isso, eletrônicos, roupas, combustíveis e até alimentos, como pão e massas, tendem a ficar mais baratos.
Além disso, o dólar em baixa ajuda a conter a inflação. Com custos menores, empresas repassam menos aumentos ao consumidor. “O preço do dólar impacta o barril de petróleo, o cafezinho e praticamente todos os insumos da economia brasileira, principalmente os alimentos. A tendência é que a inflação desacelere nos próximos meses, o que estimula o consumo”, afirma Igor Lucena.

Viagens internacionais também entram nessa conta. Com o real mais valorizado, passagens, hospedagens e gastos no exterior ficam mais acessíveis. No entanto, nem todos os setores comemoram. Exportadores e empresas ligadas ao turismo receptivo podem sentir os efeitos negativos da moeda mais fraca.
Cenário exige cautela nos próximos meses
Apesar do momento positivo, o especialista reforça que a queda do dólar tem caráter temporário. Eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para outubro e novembro, além do cenário fiscal brasileiro e das eleições no Brasil, podem trazer novas tensões ao mercado.
“O risco fiscal do Brasil ainda não impactou diretamente o mercado internacional, mas ele já foi alertado pelas autoridades há bastante tempo. Enquanto esses riscos não se materializam, existe a expectativa de continuidade da queda do dólar. Depois, o cenário pode mudar”, alerta Igor.
Resumo: A queda do dólar trouxe alívio para os preços, ajudou a controlar a inflação e fortaleceu o poder de compra. O movimento também impulsionou a bolsa e atraiu investidores estrangeiros. Para a economia doméstica, o cenário favorece consumo, planejamento e viagens, apesar de desafios para exportadores.
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