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Violência psicológica na gravidez quase dobra, aponta estudo da USP

Estudo mostra que gestantes e mulheres até 18 meses após o parto têm 94% mais risco de sofrer abuso psicológico

Jéssica Batista Por Jéssica Batista
16/07/2026
Em Comportamento
Violência psicológica na gravidez

Violência psicológica na gravidez quase dobra, aponta estudo da USP - Crédito: FreePik

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A violência psicológica na gravidez é mais frequente do que se imaginava. Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que gestantes e mulheres com bebês de até 18 meses apresentam 94% mais chances de sofrer esse tipo de abuso em comparação com mulheres que nunca tiveram filhos.

Os pesquisadores analisaram dados de 26.006 brasileiras entre 18 e 49 anos, obtidos na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, do IBGE. O levantamento também mostrou que mães de crianças com mais de 18 meses continuam vulneráveis, com risco 60% maior de sofrer violência psicológica na gravidez e em fases posteriores da maternidade quando comparadas às mulheres sem filhos.

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Segundo o pesquisador da FMUSP Alexandre Faisal Cury, a situação merece atenção porque os impactos vão muito além do sofrimento emocional. “A violência durante a gestação afeta não só a saúde mental da mãe, estando associada à depressão pós-parto e até à ideação suicida, mas também prejudica o desenvolvimento do feto, podendo gerar partos prematuros e problemas emocionais futuros para a criança”, afirma.

Quais comportamentos caracterizam a violência psicológica na gravidez?

O estudo considera diferentes formas de violência contra a mulher que nem sempre deixam marcas físicas, mas causam danos profundos à autoestima e à saúde mental materna.

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Entre elas estão:

  • Xingamentos e insultos: ataques verbais frequentes que desvalorizam e intimidam a mulher.
  • Humilhações públicas: ridicularizar a vítima diante de familiares, amigos ou desconhecidos.
  • Ameaças: prometer machucar a mulher ou pessoas importantes para ela como forma de controle.
  • Destruição de objetos: quebrar pertences pessoais para provocar medo e intimidação.
  • Abuso pelas redes sociais: usar celular ou internet para ameaçar, constranger ou divulgar imagens sem consentimento.

Apesar do aumento do abuso emocional, os pesquisadores não identificaram diferenças significativas nas taxas de violência física ou sexual durante a gestação e o pós-parto em relação a outros momentos da vida.

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Violência psicológica na gravidez
Violência psicológica na gravidez quase dobra, aponta estudo da USP – Crédito: FreePik

Por que algumas mulheres ficam mais vulneráveis?

Além da maternidade, fatores sociais também influenciam o risco de violência por parceiro íntimo. Mulheres com baixa escolaridade e renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa apresentaram maior probabilidade de sofrer violência contra a mulher, tanto psicológica quanto física e sexual.

Na população analisada, 7,9% das entrevistadas relataram sofrer violência psicológica, enquanto 3,6% disseram ter vivido violência física ou sexual.

Como identificar e prevenir esse tipo de violência?

Os pesquisadores defendem que o pré-natal, o acompanhamento do pós-parto e as consultas pediátricas sejam oportunidades para identificar sinais precoces de abuso.

A recomendação é que profissionais de saúde recebam treinamento para reconhecer mudanças de comportamento, acolher as mulheres e encaminhá-las para serviços especializados antes que a situação evolua para agressões mais graves. Segundo Alexandre Faisal Cury, a triagem rotineira pode ajudar especialmente mulheres em situação de maior vulnerabilidade social.

Reconhecer a violência psicológica na gravidez como um problema de saúde pública é um passo importante para ampliar o acolhimento às mulheres e reduzir os impactos sobre mães, bebês e famílias.

Resumo: A violência psicológica na gravidez aumenta em 94% entre gestantes e mulheres até 18 meses após o parto, segundo pesquisa da USP. O abuso emocional pode provocar depressão pós-parto, parto prematuro e impactos no desenvolvimento infantil. Mulheres com baixa renda e escolaridade também apresentam maior vulnerabilidade. O estudo defende a triagem rotineira nos serviços de saúde para identificar e interromper a violência precocemente.

Leia também:

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Tags: gravidezMaternidadesaúde mentalviolência contra a mulherviolência psicológica
Jéssica Batista

Jéssica Batista

Jéssica Batista é jornalista formada pela Universidade Cidade de São Paulo. Apaixonada por séries, cinema e por contar boas histórias, em AnaMaria escreve sobre comportamento, gastronomia e atualidades.

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