Se você convive com adolescentes e crianças cronicamente online, certamente já ouviu os números “seis e sete” em inglês, acompanhados de uma euforia inexplicável. O meme six seven saiu das telas do TikTok e invadiu o ambiente escolar, transformando momentos simples de contagem em verdadeiros eventos. A brincadeira consiste em reagir de forma exagerada à sequência numérica, muitas vezes acompanhada de um gesto com as mãos que imita uma gangorra. Surpreendentemente, até o Google entrou na onda: ao pesquisar o termo, a tela do buscador se movimenta.
A origem exata dessa tendência ainda é um mistério, sendo classificada como “brain rot” — um tipo de humor sem sentido lógico que prioriza a repetição. Alguns acreditam que o meme six seven surgiu de uma música do rapper Skrilla, enquanto outros associam à altura do jogador de basquete LaMelo Ball (6 pés e 7 polegadas). Independentemente da fonte, o fato é que a repetição constante pode interromper o fluxo pedagógico. Por isso, educadores estão adotando o uso de memes como ferramenta de manejo de classe em vez de apenas proibir a diversão.

Estratégias de professores para lidar com o meme six seven
A professora de inglês Giovanna Oliveira, de São Paulo, encontrou uma saída bem-humorada para manter o foco e contou ao Terra. Ela criou um “medidor de aura” nas salas. “Toda vez que fazem o meme six seven, vocês perdem aura”, brinca com os alunos, utilizando uma gíria da própria geração Z (farmar aura) para ditar o comportamento. Com o intuito de equilibrar o engajamento e a disciplina, ela estabeleceu um combinado: se a turma atingir uma boa pontuação de foco, o grito coletivo está liberado ao final da atividade.
Dessa maneira, o uso de memes deixa de ser um vilão e passa a ser uma moeda de troca para a participação. Outro exemplo vem de Goiânia, onde o professor Onésimo Ferraz decidiu se juntar à brincadeira. Ao perceber que os alunos “enlouqueciam” ao chegar no número cinco durante a contagem, ele passou a fazer o gesto característico com eles. Com efeito, essa conexão fortalece o vínculo entre mestre e aprendiz, tornando o ambiente escolar mais leve e acolhedor.
O impacto cultural e a construção da identidade jovem
Para especialistas, essas manifestações são passageiras, mas revelam muito sobre a juventude atual. Segundo a doutora em linguística, Luciana Pinheiro, afirmou ao portal, fenômenos como este ajudam na construção da identidade e no sentimento de pertencimento dos alunos. Visto que os adolescentes se relacionam com o mundo através do compartilhamento digital, o uso de memes em sala é apenas um reflexo dessa nova linguagem.
Todavia, os pilares da educação permanecem firmes. Embora o barulho possa assustar no início, os professores logo retomam o conteúdo assim que o riso cessa. Em suma, o segredo está em respeitar o momento dessa meninada e entender que, daqui a pouco, outra febre substituirá o meme six seven. Assim como as gerações anteriores tiveram o dab, fusca azul, antônio, pedala robinho e por aí vai.
Resumo: O meme six seven tornou-se um desafio viral que interrompe aulas com gritos e gestos. Para contornar a situação, professores estão adotando o uso de memes como estratégia de engajamento, criando sistemas de “pontos” ou participando da brincadeira para fortalecer o vínculo com os estudantes.
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