O ator Juliano Cazarré se envolveu em uma nova polêmica nesta semana após participar de um debate sobre masculinidade no canal GloboNews. Durante a conversa, exibida na última terça-feira (12), o artista divulgou informações falsas sobre feminicídio no Brasil ao afirmar que mulheres matariam mais parceiros do que homens matam mulheres. A declaração rapidamente repercutiu nas redes sociais porque especialistas já desmentiram esse dado diversas vezes.
Ao comentar sobre a violência no país, Cazarré afirmou que “mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres”. No entanto, a comparação apresentada por ele mistura dados diferentes e fora de contexto.
Declaração de Juliano Cazarré é falsa
Os números citados pelo ator surgiram originalmente em um vídeo viral publicado no TikTok em 2024. A publicação utilizava estatísticas incorretas sobre homicídios masculinos no Brasil e associava, sem comprovação, um percentual antigo atribuído ao Ipea. Contudo, especialistas apontam que os números não possuem relação direta com feminicídios e podem distorcer os dados, criando um falso paralelo.
O vídeo comparava assassinatos motivados por gênero com crimes urbanos em geral, como latrocínios, violência policial e homicídios comuns. Por isso, pesquisadores classificam a comparação como estatisticamente errada.
Segundo dados recentes da ONU, cerca de 60% dos feminicídios no mundo acontecem dentro do ambiente familiar ou são cometidos por parceiros íntimos. Já entre homens assassinados, apenas 12% dos casos acontecem nesse contexto privado.
No Brasil, o cenário também preocupa. O ano de 2025 registrou recorde de casos de feminicídio, reforçando o alerta de organizações de proteção às mulheres.
Debate sobre masculinidade ganha força nas redes
A repercussão da fala de Juliano Cazarré reacendeu discussões sobre a responsabilidade de figuras públicas ao abordar temas sensíveis. Afinal, especialistas defendem que a desinformação sobre feminicídio pode dificultar denúncias e enfraquecer políticas de proteção às mulheres.
Por outro lado, o debate também ampliou conversas sobre masculinidade saudável, respeito e igualdade de gênero. Para estudiosos do tema, homens podem exercer papel fundamental no combate à violência ao denunciar abusos e questionar discursos misóginos ligados à red pill e à machosfera.
O que é red pill e por que especialistas associam o movimento à misoginia?
Durante o debate, o autor ainda rebateu críticas e negou ter qualquer ligação com o movimento red pill. “Para um red pill, eu sou o ser mais abjeto do mundo — sou casado, tenho seis filhos e, quando eu conheci a minha mulher, ela estava grávida do meu primeiro. Adotei um filho que não era meu; isso, para um red pill, é a morte. Eu não poderia ser mais anti-red pill do que eu sou. O meu curso é só um pouco de bom senso”, defendeu.

Nos últimos anos, termos como red pill, “alfa”, “sigma” e “beta” passaram a circular com força nas redes sociais. Apesar da linguagem aparentemente inofensiva, especialistas explicam que muitos desses conceitos fazem parte de grupos misóginos conhecidos como machosfera.
O termo red pill surgiu inspirado no filme Matrix. Dentro desses grupos, porém, a expressão passou a representar homens que acreditam ter “despertado” para uma suposta manipulação feminina da sociedade.
Além da red pill, existem outras comunidades semelhantes, como os incels, os MGTOW e fóruns anônimos conhecidos como chans. Frequentemente, esses espaços promovem discursos de ódio, reforçam estereótipos e atacam movimentos feministas.
Pesquisadores também destacam que a misoginia presente nesses grupos pode incentivar comportamentos violentos. Em muitos casos, integrantes defendem uma masculinidade baseada em dominação, submissão feminina e hierarquias sociais.
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Resumo: Juliano Cazarré causou polêmica ao divulgar informações falsas sobre feminicídio durante entrevista na GloboNews. Especialistas rebateram os dados e alertaram para os riscos da desinformação. O caso também trouxe à tona discussões sobre red pill, machosfera e misoginia nas redes sociais.
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