Você já ouviu falar que criança não mente? Pois saiba que a ciência começa a olhar para isso de outra forma. Um estudo recente revelou que bebês podem mentir — ou, pelo menos, apresentar sinais iniciais de engano — muito antes de aprender a falar.
A descoberta chama atenção justamente por contrariar uma ideia bastante comum: a de que a mentira depende da linguagem. No entanto, os pesquisadores defendem que o comportamento pode surgir de forma muito mais precoce.
Bebês podem mentir? Entenda o que diz a ciência
Logo nos primeiros meses de vida, alguns comportamentos já indicam que bebês podem mentir de maneira rudimentar. Segundo um estudo da Universidade de Bristol, publicado na revista Cognitive Development, cerca de um quarto das crianças apresenta sinais de compreensão do engano por volta dos 10 meses.
Aos 17 meses, metade dos pequenos já demonstra esse tipo de comportamento. Em alguns casos, inclusive, pais relataram perceber atitudes semelhantes desde os oito meses de idade.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores ouviram mais de 750 famílias em países como Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Canadá. Assim, conseguiram mapear como o engano se desenvolve desde cedo.
De acordo com a professora Elena Hoicka, autora principal do estudo, a descoberta amplia o entendimento sobre o tema. “Foi fascinante perceber como essa habilidade aparece em uma idade tão jovem”, afirmou.

Como o comportamento enganoso aparece na prática
Antes de tudo, vale destacar que não se trata de mentiras elaboradas e ardilosas. Na prática, os sinais são simples. Por exemplo, o bebê pode fingir que não ouviu os pais, esconder objetos ou tentar fazer algo “escondido”.
Ou seja, mesmo sem falar, ele já demonstra intenção de evitar uma situação ou conseguir algo desejado. Nesse sentido, os cientistas explicam que bebês podem mentir por instinto, e não por raciocínio complexo.
Inclusive, o estudo se inspirou em pesquisas com animais, como chimpanzés e aves, que também apresentam comportamentos enganosos sem linguagem estruturada. Dessa forma, os especialistas sugerem que a base da mentira pode ser mais antiga do que se imaginava.
O que muda ao longo da infância
Com o passar do tempo, o comportamento evolui. A partir dos dois anos, por exemplo, a criança começa a negar ações ou evitar tarefas de forma mais intencional. Já por volta dos três anos, surgem histórias mais elaboradas — como culpar um personagem imaginário.
Os pesquisadores identificaram 16 tipos diferentes de engano, o que mostra uma progressão clara na complexidade. Outro ponto importante é a frequência: entre as crianças que já demonstram esse comportamento, metade tentou enganar alguém no dia anterior à pesquisa.
Mas calma! Esses achados científicos não significam que o seu filho é um mentiroso em potencial. Segundo os pesquisadores, esse tipo de atitude faz parte do desenvolvimento natural. Ou seja, não há motivo para preocupação — pelo contrário, entender essas fases pode ajudar a compreender a complexidade do desenvolvimento infantil.
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