A ultrassonografia é considerada uma das maiores aliadas da saúde feminina, já que o exame, rápido, acessível e livre de radiação, desempenha papel essencial na prevenção, investigação e acompanhamento de diversas condições ginecológicas. Ainda assim, muitas mulheres não sabem exatamente quando devem realizar o procedimento: algumas acreditam que ele precisa fazer parte da rotina anual, enquanto outras só procuram o exame diante de sintomas mais intensos.
Segundo a médica radiologista e ultrassonografista Dra. Catherine Fuchs, o principal ponto é entender que a indicação deve sempre ser individualizada. “Ela é muito importante como aliada no diagnóstico de condições como adenomiose, endometriose, miomas e pólipos”, explica a especialista, destacando que a ultrassonografia costuma ser o primeiro exame solicitado na investigação ginecológica.
Apesar da relevância, a médica faz um alerta importante: o exame não deve ser realizado sem orientação profissional. “Na verdade, não existe uma recomendação para realização rotineira de ultrassonografia, mas ela é essencial quando indicada pelo médico”, afirma. Ou seja, o acompanhamento ideal depende do histórico clínico, idade, fase da vida e das necessidades únicas de cada paciente.
O corpo feminino costuma dar sinais quando algo não vai bem, e esses alertas não devem ser ignorados. “Sangramentos irregulares, cólicas intensas, dor durante a relação sexual e ciclos menstruais desregulados são alguns dos sintomas que podem indicar a necessidade de investigação imediata. Nessas situações, esse tipo de exame frequentemente representa o primeiro passo para identificar a causa do problema e iniciar o tratamento adequado”.
Dos tipos às necessidades: cada exame deve ser único
Existem diferentes formas de realizar o exame, sendo as mais comuns a ultrassonografia pélvica abdominal e a transvaginal. A escolha entre elas depende de diversos fatores. “Elas possuem papéis diferentes na investigação das pacientes e dependem de fatores como idade, início da vida sexual, queixa clínica e o órgão a ser avaliado”, explica a Dra. Catherine.
Um dos grandes benefícios da ultrassonografia é a possibilidade de diagnóstico precoce. Alterações como miomas, cistos ovarianos e pólipos podem ser identificadas antes mesmo de provocarem sintomas importantes. No caso da endometriose, doença que ainda apresenta desafios diagnósticos, o exame ganha destaque. “É um ótimo método para pesquisa e mapeamento da endometriose, especialmente quando há sintomas como infertilidade, cólicas, dor na relação sexual ou alterações intestinais e urinárias no período menstrual”.
Durante a gestação, a ultrassonografia torna-se indispensável para acompanhar o desenvolvimento do bebê e avaliar a saúde materna. A frequência dos exames varia conforme cada gravidez. “Gestações de alto risco exigem avaliações mais frequentes. Já nas de risco habitual, o acompanhamento é definido pelo obstetra”, orienta a médica.
O exame também é um importante aliado para mulheres que desejam engravidar. Atualmente, é considerado o principal método para avaliação da infertilidade feminina, já que permite analisar útero, ovários e demais estruturas pélvicas em uma única avaliação. “Hoje, é o principal método para avaliar infertilidade de causa feminina, pois permite analisar todos os compartimentos pélvicos em uma única consulta”.
Após a menopausa, ultrassonografia é indicada, sim!
Mesmo após a menopausa, a ultrassonografia pode continuar sendo indicada em situações específicas, como sangramento pós-menopausal, acompanhamento de terapia de reposição hormonal ou investigação de alterações clínicas. “Ressalto, como já falei anteriormente, que não há recomendação de realização periódica sem indicação médica, ou seja, somente um profissional de saúde que acompanha e sabe dos detalhes da vida daquela paciente pode solicitar”.
Outro ponto que reforça a importância do exame é sua segurança. Por não utilizar radiação ionizante, a ultrassonografia pode ser realizada em diferentes fases da vida, inclusive durante a gravidez. “Não existem contraindicações absolutas, e o preparo varia de acordo com o tipo de avaliação, podendo incluir jejum ou preparo intestinal”, explica a especialista.
Mais do que um exame de rotina, a ultrassonografia deve ser entendida como uma ferramenta estratégica no cuidado com a saúde feminina. Com indicação adequada e acompanhamento médico, ela contribui para diagnósticos mais precoces, tratamentos eficazes e maior qualidade de vida. Afinal, observar o próprio corpo e buscar avaliação especializada diante de qualquer alteração é um dos passos mais importantes para a prevenção.
