A constipação intestinal, popularmente conhecida como prisão de ventre, atinge, segundo estimativas, entre 20% e 30% da população brasileira. A condição é caracterizada por evacuações difíceis, infrequentes (menos de três vezes por semana) ou pela sensação de esvaziamento intestinal incompleto.
Segundo a médica Dra. Elaine Moreira, a constipação intestinal pode ter diversas origens, desde fatores comportamentais até doenças crônicas e efeitos colaterais de medicamentos. “As principais causas da constipação intestinal são a baixa ingestão de água, uma dieta pobre em fibras e o sedentarismo. Algumas doenças, como diabetes, hipotireoidismo, doença de Parkinson e síndrome do intestino irritável, também podem levar à constipação intestinal”.
Ela destaca, ainda, que alguns medicamentos também podem provocar o problema. “Outra causa muito comum é o uso de algumas medicações que têm a constipação intestinal como efeito colateral”. A médica afirma que a constipação pode se tornar preocupante, pois pode ser um dos primeiros sinais de doenças graves, incluindo o câncer colorretal.
“Até mesmo o câncer colorretal pode ter a constipação intestinal como uma de suas manifestações. Principalmente, se a mudança do hábito intestinal for repentina, com alteração do formato das fezes. Estes são sinais que precisam ser investigados”.
Além da dificuldade para evacuar, a constipação pode desencadear uma série de sintomas e complicações quando não é tratada adequadamente. “A constipação intestinal pode causar dor abdominal intensa, distensão abdominal e mal-estar geral. Também pode levar à disbiose, que é o desequilíbrio da microbiota intestinal. Além de favorecer doenças como a doença hemorroidária”, destaca a médica.
Dra. Elaine explica que, nos casos mais graves, o quadro pode causar complicações. “A constipação intestinal pode provocar fissura anal e, em situações mais graves, até mesmo uma obstrução intestinal”. Alguns sintomas associados à constipação intestinal exigem investigação médica imediata, por poderem indicar doenças mais sérias. “Sangue nas fezes ou sangramento retal; perda de peso sem causa aparente; anemia; cansaço intenso; dor abdominal intensa ou persistente; alteração súbita do formato das fezes, especialmente fezes em fita e histórico familiar de câncer colorretal. Ainda, a alteração súbita do aspecto das fezes, como fezes em fita, também deve ser investigada”, alerta.
Tratamento começa pela mudança de hábitos
A médica esclarece que o tratamento da constipação intestinal depende da causa, mas normalmente começa com mudanças no estilo de vida. “O tratamento da constipação intestinal deve ser iniciado com mudanças no estilo de vida, incluindo a prática regular de atividade física, o aumento da ingestão de água e o consumo adequado de fibras”.
Quando essas medidas não são suficientes, pode ser necessário o uso de medicamentos. “Nos casos refratários, em que a mudança do estilo de vida não foi suficiente para resolver o problema, pode ser indicada a prescrição de laxantes”.
Ainda é preciso lembrar que a automedicação representa riscos. Apesar de serem facilmente encontrados, os laxantes não devem ser utilizados sem orientação médica. “O tratamento medicamentoso da constipação intestinal deve ser individualizado e prescrito somente por um médico. O que vemos hoje é muita automedicação, com pessoas usando laxantes de forma indiscriminada e sem orientação, o que pode, inclusive, piorar o quadro clínico”.
A médica afirma que a orientação é buscar atendimento quando a constipação intestinal tornar-se crônica. “Se a constipação intestinal persistir por várias semanas, não melhorar com mudanças nos hábitos ou vier acompanhada de sinais como sangue nas fezes, perda de peso, dor abdominal intensa, alteração no formato das fezes, anemia ou histórico familiar de câncer colorretal, é preciso procurar um médico com urgência. A investigação precoce é fundamental para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado”, finaliza.
