A cirurgia realizada pela atriz Larissa Manoela para tratar a endometriose trouxe novamente à tona um tema que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. Ao revelar que decidiu realizar o procedimento também para preservar sua fertilidade, a artista ampliou o debate sobre uma doença que, apesar de frequente, ainda leva anos para ser diagnosticada em muitas pacientes.
A endometriose é uma doença caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o interior do útero — fora da cavidade uterina. Esse tecido pode atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e outras regiões da pelve, provocando sintomas como cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais e urinárias relacionadas ao ciclo menstrual e dificuldade para engravidar.
Segundo a médica radiologista Dra. Catherine Fuchs, especialista em Diagnóstico por Imagem, o diagnóstico precoce é um dos principais aliados para evitar a evolução da doença e minimizar seus impactos na saúde da mulher. “Quanto mais tempo a doença permanece sem diagnóstico, maior é o risco de progressão das lesões e de comprometimento de órgãos como ovários, intestino e bexiga”.
A especialista destaca que a investigação começa com uma avaliação clínica detalhada, levando em consideração o histórico da paciente e os sintomas apresentados. Atualmente, os exames de imagem desempenham papel fundamental na confirmação do diagnóstico. “A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, realizada por profissionais capacitados e seguindo protocolo específico para pesquisa de endometriose, é um dos principais exames para identificar lesões profundas. Em alguns casos, a ressonância magnética da pelve complementa a investigação, especialmente quando há suspeita de doença extensa ou necessidade de planejamento cirúrgico”, afirma.
Ela ressalta ainda que o acompanhamento deve ser individualizado. A combinação entre avaliação clínica e exames de imagem permite monitorar a evolução da doença, avaliar a resposta ao tratamento e orientar as melhores estratégias terapêuticas para cada paciente.
Dor e infertilidade estão entre as principais complicações
De acordo com o médico especialista em Reprodução Assistida, Dr. Alessandro Schuffner, a endometriose pode comprometer significativamente a qualidade de vida e a fertilidade feminina. “As duas grandes complicações da endometriose são a dor — principalmente a dor menstrual e durante a relação sexual — e a infertilidade, que muitas vezes é o motivo que leva a paciente a descobrir a doença”.
O tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas, a extensão da doença e os planos reprodutivos da mulher. Entre as alternativas estão o controle hormonal dos sintomas e a cirurgia por videolaparoscopia, procedimento minimamente invasivo utilizado para remover os focos da doença.
Segundo Schuffner, a indicação cirúrgica deve ser cuidadosamente avaliada. “Quando a paciente apresenta dor intensa e incapacitante, a cirurgia costuma ser indicada. Entretanto, se ela possui baixa reserva ovariana e deseja engravidar, pode ser recomendado primeiro o congelamento de óvulos ou embriões, já que a cirurgia pode reduzir ainda mais essa reserva”, afirma.
Conscientização pode reduzir atrasos no diagnóstico
Especialistas reforçam que a normalização da dor menstrual ainda representa um dos principais obstáculos para o diagnóstico precoce da endometriose. Muitas mulheres convivem por anos com sintomas intensos acreditando que fazem parte do ciclo menstrual, retardando a busca por atendimento especializado.
O relato de Larissa Manoela contribui para ampliar a conscientização sobre a doença e incentivar mulheres a procurarem avaliação médica diante de sinais persistentes. Quanto mais cedo a endometriose é identificada, maiores são as possibilidades de controlar os sintomas, preservar a fertilidade quando desejado e evitar a progressão das lesões, proporcionando mais qualidade de vida às pacientes.
