Acompanhei nesta semana a repercussão do novo reality show da TV Record, “A Casa do Patrão”, comandado por Leandro Hassum e dirigido pelo veterano Boninho.
Como todos sabem, Boninho foi o principal diretor do Big Brother Brasil até 2024, quando rompeu com a TV Globo. Apesar de ser filho do cara que ajudou a construir o glorioso “padrão Globo” de qualidade, Boninho não ficou preso à figura do pai e conseguiu deixar sua marca própria e identidade na emissora, dialogando com o público e tornando-se uma celebridade, para além do papel de diretor.
Claro, ele também cometeu erros, criando programas que fracassaram na audiência, como o “Pipoca da Ivete” e o “Casa Kalimann”. Ainda, tiveram edições do BBB que foram ruins e completamente esquecíveis. No entanto, quando olhamos a soma do todo, vemos uma carreira brilhante, cheia de sucessos na TV, influência e muito dinheiro – o Big Brother é hoje uma mina de ouro para a Globo, pelo seu valor histórico, cultural e comercial.
E Boninho poderia muito bem ficar preso às glórias do passado. Dinheiro ele tem de sobra, é riquíssimo! Influência e acesso a tudo de melhor neste mundo, também!
Mas, humildemente, ele decidiu continuar trabalhando e fazendo o que ele gosta: televisão! Mesmo que isso significasse comandar em uma emissora menor e com menos recurso, a TV Record. Só que a internet não está sabendo lidar com isso !
Estamos tão acostumados a discursos de sucesso, histórias de pessoas que escalaram os picos mais altos do mundo que, quando uma pessoa simplesmente decide recomeçar, mesmo que de forma mais modesta, desenvolvemos uma repulsa. Criticamos e fazemos chacota. É o famoso rir de quem está “por baixo”, para nos sentir superiores.
O BBB levou 25 anos para se tornar um porto seguro para as marcas e audiência, já “A Fazenda”, 17 anos. Seria muito arrogância achar que uma emissora ou alguma marca iria investir tudo em um projeto que nasceu agora… Só por que é o Boninho? Jamais !
Por isso, acredito que Boninho esteja realmente transmitindo uma mensagem bacana de humildade e coragem, porém, como estamos embriagados por discursos de sucesso, não conseguimos reconhecer!
