A nova série da Netflix, Emergência Radioativa, sobre a contaminação por Césio 137 em Goiânia, já alcançou o primeiro lugar entre as mais vistas no Brasil. Ela relembra a história macabra de catadores de reciclagem que encontraram uma máquina de radiologia abandonada em uma clínica e levaram para um ferro-velho, em 1987. Neste ferro-velho, essa máquina foi aberta e seu elemento radioativo, o Césio 137, foi compartilhado por diversos moradores devido ao brilho fluorescente azul que a substância emite no escuro.
Ao todo, a máquina tinha 19 gramas de Césio, o que gerou 6 toneladas de lixo radioativo, a morte imediata de 4 pessoas, centenas de contaminados e pessoas doentes.
Mesmo que seja uma série “True Crime” e se espere momentos dramáticos, a produção tem, excessivamente, diálogos sentimentais. Há um romantismo claro no enredo e que chega a ser piegas justamente em um dos momentos mais simbólicos da história, que foi a morte da menina de 6 anos que ingeriu o Césio 137 por comer um ovo sem lavar as mãos, após ter tido contato direto com a substância.
Em Emergência Radioativa, a menina se chama Celeste (Mari Lauredo), já na vida real, a vítima chamava-se Leide das Neves. A troca de nome ocorreu justamente para que a direção pudesse ter mais liberdade para abordar a história.
Outro ponto fraco é que Emergência Radioativa lembra muito Chernobyl, produção da HBO sobre a explosão nuclear da usina atômica Chernobyl, em 1986. É neste caminho, inclusive, que a produção brasileira perde um pouco do seu brilho, pois ela traz a figura de uma investigadora responsável por apurar o acidente, assim como acontece na série da HBO. O problema? A justiça e a polícia brasileira são bem diferentes da antiga União Soviética e o resultado fica meio plástico e me fez questionar: será mesmo que a apuração do caso e a responsabilização foram tão claras assim? Acho que não!
Neste sentido, a série não passa uma mensagem clara sobre Brasil, sua ganância e negligências.
No entanto, ela tem bons méritos e acerta em recuperar a história em um panorama quase completo, que passa por políticos, vítimas, pesquisadores e até mesmo a comunidade indígena, que lutou para que o lixo tóxico do Césio 137 não fosse levado para reservas no Pará. Outro ponto forte é o elenco, que tem Johnny Massaro como o físico nuclear Márcio. A boa ligação entre o elenco segura o clima da produção até o final.
Vale a pena assistir!
