Acostumados a circular entre desfiles, campanhas e ensaios fotográficos internacionais, alguns modelos brasileiros que vivem em Dubai passaram a dividir a rotina de trabalho com momentos de apreensão nas últimas semanas. Em meio ao cenário de tensão no Oriente Médio, eles contam que a cidade segue funcionando, ainda que sob estado de atenção e com alertas ocasionais emitidos pelas autoridades locais.
O modelo Diego Queiroz, da agência Ellian Gallardo Models, diz que o cotidiano não chegou a ser interrompido. “Aqui em Dubai, a vida segue praticamente normal desde o início. Existe um pouco de tensão no ar, mas, no geral, a rotina continua funcionando”, relata. Segundo ele, os primeiros dias foram os mais impactantes. “Cheguei a ver mísseis de interceptação no céu e ouvir alguns barulhos quando eram interceptados. Alguns destroços chegaram a cair em terra, mas a situação permaneceu controlada”, afirma.
Mesmo diante das imagens incomuns, ele conta que não houve pânico generalizado. “Claro que existe um certo medo e preocupação, principalmente quando vimos as interceptações no céu, mas as pessoas seguem trabalhando e tentando manter a rotina.”
Outro brasileiro que trabalha como modelo na cidade diz que estava justamente em um ensaio quando os primeiros sinais de tensão apareceram. “Eu estava em um shooting no hotel Jumeirah Marsa Al Arab quando aconteceu o primeiro ataque contra bases americanas. Naquele momento foi um pouco assustador porque ninguém sabia exatamente o que poderia acontecer”, lembra.
Nos dias seguintes, a orientação foi agir com cautela. “Ficamos mais em casa e seguimos as recomendações do governo. Com o tempo, as autoridades começaram a transmitir mais segurança e Dubai foi voltando a funcionar, apesar de ainda existir um estado de alerta.”
Aparecido, outro modelo brasileiro que vive no emirado, diz que o sistema de defesa local ajuda a trazer alguma tranquilidade. “Está indo tudo bem, graças a Deus. Estamos tendo suporte nesse momento difícil. Dubai tem um dos melhores sistemas de defesa do mundo, então isso acaba deixando a gente um pouco mais tranquilo”, afirma.
Mesmo assim, alguns episódios ainda causam susto. “Às vezes o celular apita com um alerta pedindo para ficarmos em segurança porque vão interceptar mísseis. Não é algo normal para a gente, então assusta”, conta.
No mercado da moda, os trabalhos chegaram a desacelerar por alguns dias, mas já começam a voltar gradualmente. “Agora os trabalhos estão retornando aos poucos. Creio que na próxima semana voltamos com força máxima”, diz.
Para o também modelo César Monti, da mesma agência, a sensação predominante neste momento é de vigilância, mas sem paralisação completa da cidade. Entre campanhas, castings e ensaios, a tentativa é seguir trabalhando enquanto acompanham os desdobramentos do cenário internacional.
