Olá a todos! Nesta semana, quero falar sobre uma situação muito comum no consultório: pessoas que sentem que a sinusite nunca vai embora ou que enfrentam várias crises ao longo do ano.
É frequente ouvir frases como: “Todo inverno eu tenho sinusite”, “Mal termino o tratamento e ela volta” ou “Já perdi a conta de quantas vezes tomei antibiótico”.
Mas será que toda crise de nariz entupido, secreção e dor no rosto é realmente sinusite? E quando esses sintomas deixam de representar um episódio isolado e passam a exigir uma investigação mais detalhada?
A maioria das sinusites surge após uma gripe ou um resfriado. Durante a infecção viral, a mucosa do nariz fica inflamada, o que pode dificultar a ventilação e a drenagem dos seios da face. Na maior parte das vezes, o quadro melhora espontaneamente ou com o tratamento clínico adequado.
A atenção deve ser maior quando as crises começam a se repetir ou quando os sintomas nunca desaparecem completamente.
Quando a sinusite é considerada de repetição?
De maneira geral, considera-se sinusite de repetição quando a pessoa apresenta quatro ou mais episódios de sinusite aguda no período de um ano, com desaparecimento completo dos sintomas entre uma crise e outra.
Quando os sintomas persistem por mais de 12 semanas consecutivas, pode haver um quadro de sinusite crônica.
Embora possam provocar sintomas semelhantes, são condições diferentes e que exigem abordagens específicas.
Por que a sinusite continua voltando?
Essa é uma das dúvidas que mais escuto no consultório.
Muitas vezes, existe algum fator favorecendo o surgimento das crises. Quando ele não é identificado, o tratamento pode resolver o episódio daquele momento, mas não impedir que o problema volte.
Entre as causas mais comuns estão:
• rinite alérgica mal controlada;
• desvio de septo;
• aumento dos cornetos nasais;
• pólipos nasais;
• alterações anatômicas que dificultam a ventilação e a drenagem dos seios da face;
• exposição frequente à fumaça de cigarro e a outros agentes irritantes;
• alterações da imunidade, em situações específicas.
Por isso, algumas pessoas passam anos repetindo tratamentos e ciclos de antibióticos sem compreender o que está por trás das crises.
Quais sintomas indicam que é hora de investigar?
Alguns sinais merecem atenção:
• nariz entupido por períodos prolongados;
• secreção nasal persistente;
• pressão ou dor na face;
• diminuição do olfato;
• dor de cabeça acompanhada de sintomas nasais;
• necessidade frequente de antibióticos;
• sintomas que retornam logo após o fim do tratamento.
O fato de esses sintomas acontecerem com frequência não significa que devam ser considerados normais.
Toda sinusite precisa de tomografia?
Não. Na maioria dos episódios agudos, o diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica.
A tomografia pode ser solicitada quando há suspeita de sinusite crônica ou de repetição, quando o tratamento não apresenta a resposta esperada ou para o planejamento de uma cirurgia.
Outro exame que pode ajudar é a nasofibroscopia, realizada no próprio consultório. Ela permite observar a cavidade nasal e identificar alterações relacionadas à obstrução e à inflamação.
O tratamento vai além do antibiótico
Muitas pessoas acreditam que o antibiótico resolve qualquer sinusite. No entanto, nem todos os casos precisam desse tipo de medicamento. O tratamento deve ser definido de acordo com a causa e as características de cada quadro.
Entre as medidas que podem ser indicadas estão:
• lavagem nasal com solução salina;
• controle da rinite alérgica;
• medicamentos para reduzir a inflamação, quando necessários;
• tratamento dos pólipos nasais;
• correção de alterações anatômicas em casos selecionados.
Quando há uma alteração estrutural importante ou o tratamento clínico não consegue controlar a doença, a cirurgia endoscópica dos seios da face pode ser considerada. O procedimento busca melhorar a ventilação e a drenagem da região, contribuindo para a redução das crises e para a qualidade de vida do paciente.
Quando procurar um otorrinolaringologista?
Se você apresenta crises frequentes, sente que os sintomas nunca desaparecem completamente ou precisa usar antibióticos repetidas vezes, procure uma avaliação especializada.
Tratar cada nova crise pode trazer alívio momentâneo. Para controlar o problema a longo prazo, no entanto, é fundamental investigar por que ele continua voltando.
Sinusite frequente não deve fazer parte da rotina. Identificar a causa é o primeiro passo para escolher o tratamento adequado e respirar melhor.
Dra. Maura Neves
Maura Neves, (@dra.mauraneves) é médica otorrinolaringologista, com formação e doutorado pela USP. Em AnaMaria, escreve sobre saúde, mas além da medicina, é apaixonada por corrida de rua, que a inspira a buscar equilíbrio e energia no dia a dia.
