Olá a todos!
Com a chegada das temperaturas mais baixas, aumentam muito os casos de infecções respiratórias. E junto com eles surge uma dúvida muito comum no consultório: como diferenciar resfriado, gripe e sinusite?
Na prática, muitas pessoas acabam chamando qualquer quadro de “sinusite”, principalmente quando aparecem nariz entupido, dor no rosto e secreção. Mas existem diferenças importantes e entender essa evolução ajuda a evitar automedicação e tratamentos desnecessários.
O resfriado comum costuma ser mais leve. Normalmente começa aos poucos, com coriza, espirros, irritação na garganta, nariz entupido e um mal-estar discreto. Em geral, os sintomas melhoram em alguns dias.
Já a gripe, causada pelo vírus influenza, costuma derrubar mais. Febre alta, dor no corpo, cansaço intenso, dor de cabeça e prostração são frequentes. Muitas pessoas descrevem aquela sensação de “ter sido atropelada”, especialmente nos primeiros dias.
A sinusite, por sua vez, pode surgir após um quadro viral, principalmente quando existe obstrução nasal persistente. O problema é que muita gente acredita estar com sinusite logo nos primeiros dias de sintomas, quando ainda está vivendo apenas uma infecção viral comum.
Alguns sinais costumam indicar que o quadro merece mais atenção:
• sintomas que duram mais de 10 dias
• piora após uma melhora inicial
• secreção nasal espessa persistente
• pressão ou dor na face
• sensação de peso na testa ou nas maçãs do rosto
• tosse persistente, principalmente à noite
• dificuldade importante para respirar pelo nariz
Um ponto importante: nem toda sinusite precisa de antibiótico. Essa ainda é uma das maiores confusões. Muitos quadros melhoram com lavagem nasal adequada, controle da inflamação e tratamento correto da obstrução nasal.
Além disso, pessoas com rinite alérgica costumam ter mais crises e uma recuperação mais lenta, porque a mucosa nasal já permanece inflamada de forma crônica.
Nas crianças, os sintomas podem aparecer de forma diferente. Tosse prolongada, irritabilidade, sono ruim, mau hálito e nariz entupido persistente costumam chamar bastante atenção dos pais.
Mais do que olhar apenas para o nome da doença, o mais importante é observar a evolução dos sintomas. Nem todo resfriado vira sinusite, mas sintomas persistentes, piora progressiva ou dificuldade importante para respirar merecem avaliação médica.
Nesta época do ano, também vale reforçar a importância da vacinação contra a gripe, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A vacina continua sendo uma das formas mais importantes de reduzir complicações e quadros graves.
Se os sintomas respiratórios persistem ou acontecem com frequência, investigar a causa é essencial para evitar tratamentos inadequados e melhorar a qualidade de vida.
Dra. Maura Neves
Maura Neves, (@dra.mauraneves) é médica otorrinolaringologista, com formação e doutorado pela USP. Em AnaMaria, escreve sobre saúde, mas além da medicina, é apaixonada por corrida de rua, que a inspira a buscar equilíbrio e energia no dia a dia.
