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Estudo revela risco crítico de falta de água nas cidades brasileiras

Gustavo Trindade Por Gustavo Trindade
31/10/2025
Em Cidades
Impacto climático intensificando a vulnerabilidade dos sistemas de abastecimento nas cidades. - Créditos: depositphotos.com / weerapat

Impacto climático intensificando a vulnerabilidade dos sistemas de abastecimento nas cidades. - Créditos: depositphotos.com / weerapat

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Estudo alerta que mudanças climáticas e perdas no sistema de distribuição podem causar racionamento em várias regiões do país.

O desabastecimento de água no Brasil pode se tornar uma realidade crítica até 2050. Segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, em parceria com a Ex Ante Consultoria Econômica, a combinação de crescimento urbano, perdas no sistema de distribuição e mudanças climáticas pode comprometer o abastecimento em diversas cidades brasileiras.

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Entre os principais achados do estudo:

  • A demanda por água tratada deve aumentar cerca de 59,3% até 2050.
  • A disponibilidade média de água nas cidades pode cair 3,4%, equivalente a 12 dias de racionamento por ano.
  • Regiões mais secas, como o Nordeste e o Centro-Oeste, podem enfrentar racionamento superior a 30 dias anuais.
Uso consciente da água promovendo equilíbrio entre demanda urbana e recursos naturais. – Créditos: depositphotos.com / PhotoAventure

Qual é a origem do risco de desabastecimento de água?

O chamado desabastecimento de água ocorre quando o sistema urbano não consegue fornecer volume e qualidade adequados para toda a população. No Brasil, três fatores principais explicam o cenário:

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  1. Aumento da demanda domiciliar por água, impulsionado pelo crescimento urbano e econômico.
  2. Perdas elevadas na distribuição, que chegam a cerca de 40% em média nacional.
  3. Mudanças climáticas, com aumento da temperatura, redução de dias de chuva e eventos extremos mais frequentes.

Ou seja, mesmo que a infraestrutura seja expandida, a combinação de ineficiência no sistema e clima adverso torna o abastecimento vulnerável.

Por que esse alerta chama atenção agora?

O Brasil enfrenta um ritmo acelerado de urbanização, pressionando redes antigas. Apesar da Lei do Saneamento exigir cobertura universal, muitos municípios ainda operam com deficiência de serviços e tratamento.

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O estudo mostra que, em várias regiões, parte da água já tratada não foi plenamente entregue em 2023. Somando isso às mudanças climáticas, que podem elevar a temperatura máxima em 1 ºC até 2050, a situação se agrava.

Luana Pretto, presidente executiva do Trata Brasil, reforça:
“É urgente reduzir perdas e investir em gestão sustentável da água, pois onde já há escassez, a falta pode se prolongar por mais de 30 dias.”

Quais elementos tornam esse desafio único?

A projeção revela dados preocupantes e diferenciados:

  • Média nacional de 12 dias de racionamento por ano; em regiões áridas, mais de 30 dias.
  • Necessidade de produzir 10,672 bilhões m³ adicionais de água até 2050 se as perdas permanecerem nos níveis atuais.
  • Consumo per capita de água pode subir de 175,29 litros/dia em 2023 para cerca de 204,86 litros/dia em 2033.
  • A redução de perdas de 40% para 25% poderia suprir grande parte da futura demanda sem aumentar captação.
Tudo sobre a melhor tecnologia de captação de água
Uso consciente da água promovendo equilíbrio entre demanda urbana e recursos naturais. – Créditos: depositphotos.com / mproduction

Elementos marcantes

  • Crescimento da demanda por água tratada em 59,3% até 2050.
  • Redução média de 3,4% da disponibilidade hídrica.
  • Pressão sobre regiões mais vulneráveis: semiárido, Centro-Oeste e partes do Nordeste.
  • Impactos das mudanças climáticas sobre oferta e consumo de água.

Quem vai se preocupar com esse risco?

  • Cidadãos urbanos, principalmente no Nordeste e Centro-Oeste, onde o racionamento será mais severo.
  • Gestores públicos e empresas de saneamento, responsáveis por políticas de eficiência e expansão.
  • Pesquisadores e ativistas climáticos, atentos à relação entre clima e abastecimento urbano.
  • Startups e empresas de tecnologia hídrica, interessadas em inovação para reduzir perdas e reutilizar água.

Curiosidades sobre a projeção

  • Cada grau Celsius adicional eleva o consumo de água por habitante em 24,9%.
  • Cada dia extra de chuva aumenta o consumo médio em 17,4%.
  • Quase quatro litros de cada dez tratados não chegam às torneiras.
  • Reduzir perdas para 25% diminuiria a necessidade de produção adicional em 2,138 bilhões m³ até 2050.

O que esperar do futuro do abastecimento urbano?

O futuro depende das decisões atuais. Existem dois cenários principais:

  • Cenário de ação: investimentos em infraestrutura, redução de perdas, reuso de água e políticas de eficiência hídrica podem mitigar riscos.
  • Cenário de inércia: manutenção da situação atual, aumento da demanda e impactos climáticos mais severos levariam a racionamentos frequentes e vulnerabilidade crescente.

O que fica claro é que cada decisão feita hoje impacta o abastecimento urbano de amanhã, reforçando a importância de políticas sustentáveis e investimentos imediatos.

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Tags: abastecimento urbanocrise hídricamudanças climáticas
Gustavo Trindade

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