O sucesso profissional que a gente vê e o que ele esconde
No LinkedIn, nas demais redes sociais, nas palestras corporativas e até nas rodas de amigos, ouvimos histórias de pessoas que alcançaram o sucesso (e até sentimos um pouquinho de inveja, né?). Mas o que é sucesso?
Pelo dicionário, sucesso significa: “com resultado; êxito, triunfo”. Mas quem define qual o resultado esperado ou o que considerar como triufo?
Quando alcançar o sucesso não traz felicidade
Essa pergunta me perseguiu nos últimos anos. Sucesso, para mim, era alcançar um determinado cargo profissional e, por consequência, também um valor guardado no banco que me desse confiança. Mas, quando eu cheguei lá, isso não me fez uma pessoa mais feliz. Durante um tempo, o aumento ainda maior de responsabilidades me segurou como um desafio. Talvez se eu “desse conta” desse desafio, teria sucesso.
Pelo contrário, “esse sucesso” me trouxe burnout e a clara sensação de que eu havia perdido tempo precioso que poderia ter sido vivido com pessoas amadas e que, agora, não estão mais aqui.
O sucesso que você busca não é o mesmo da empresa
Para piorar, esse objetivo que eu tracei como sucesso profissional nem era o mesmo que a empresa onde eu trabalhava considerava como tal. Ou seja, um total desalinhamento entre valores (acontece muito mais do que se imagina – acontece com você?). Acabei saindo para repensar minha vida como um todo.
Como o mercado define sucesso (e por que isso importa)
No campo corporativo, especialmente em empresas bem estruturadas, as métricas de sucesso são claras (atreladas a algum tipo de recompensa financeira) e falam muito sobre resultados financeiros: Margem Líquida, EBITDA, ROI, Ticket Médio, Headcount, Horas Faturáveis, Output de Produção, Market Share, Volume de Vendas, Crescimento de Receita…
Todas são metas corporativas, e o colaborador precisa vestir a camisa, dar seu suor, trabalhar além da conta, abrir mão de momentos de lazer para ajudar a empresa a chegar lá, no tal sucesso (dela). E o que vem depois disso? Metas maiores em cima desses mesmos indicadores financeiros sobre os mesmos indicadores, provavelmente com a meta adicional de fazer mais por menos (menos headcount, menor custo, mais rapidez, menos investimento). É um círculo vicioso, que cria ambientes tóxicos, e que só se desfaz quando uma das partes quebra — e, normalmente, essa parte é o colaborador. Não à toa, estamos vivendo índices cada vez mais altos de adoecimento mental e infelicidade no trabalho.
A nova definição de sucesso, especialmente para as mulheres
Repensar o que é sucesso profissional é, talvez, o movimento profissional mais forte dos últimos anos, especialmente para as mulheres. Não é sobre fazer menos ou diminuir a carga horária. É fazer o que agrega mais valor. Ter flexibilidade de horários para usá-los de forma a maximizar a produtividade profissional sem abrir mão do tempo de lazer ou em família; poder trabalhar remotamente para dar suporte à rotina da casa, poder dizer “não” e não ser julgada por falta de comprometimento, receber remuneração justa e equiparada aos seus pares masculinos, ser medida e reconhecida pelo que traz de diferente para o ambiente de trabalho (empatia, resolução de conflitos, escuta ativa).
Sucesso profissional deveria significar chegar em casa após o trabalho e sentir realização pelo que foi feito no dia, orgulho pela forma como a sua empresa se posiciona perante temas relevantes da sociedade, conseguir juntar algum dinheiro no final do mês e ainda ter tempo para fazer alguma atividade só para você.
Utopia não é isso. Utopia é acreditar que dá para continuar medindo sucesso só por números, ignorando o custo humano por trás deles. O modelo já está sendo questionado — e não vai voltar atrás. As empresas que entenderem isso primeiro vão atrair e reter os melhores talentos. As outras vão ficar para trás. E nós, como colaboradores, temos mais poder do que imaginamos nessa mudança.
