O mercado de trabalho brasileiro enfrenta um fenômeno preocupante. Recentemente, os dados do Caged revelaram que a demissão por justa causa atingiu níveis recordes, registrando um aumento de quase 200% em relação a 2019. Apenas em janeiro de 2026, mais de 65 mil brasileiros perderam seus empregos dessa maneira. Esse cenário de “tempestade perfeita” combina a volta ao trabalho presencial com uma vigilância digital muito mais rigorosa por parte das empresas.
O que explica a alta na demissão por justa causa?
A aplicação da punição máxima prevista pela CLT ocorre quando o funcionário comete uma falta grave que torna a continuidade da relação de emprego insuportável. A dificuldade em encontrar mão de obra qualificada levou empresas a contratarem perfis menos experientes, o que, muitas vezes, resulta em erros de conduta. Além disso, o monitoramento digital agora permite que chefes acompanhem cada minuto de atividade no computador ou em redes sociais.
Ademais, o retorno obrigatório aos escritórios gerou um “choque de cultura”. Muitas pessoas se acostumaram com a autonomia do home office e hoje sentem dificuldade em cumprir horários rígidos de entrada e almoço. Consequentemente, o que antes era resolvido com uma conversa, atualmente vira relatório de insubordinação.

Atitudes que colocam sua carreira em risco
Para evitar um desligamento traumático, você deve observar atentamente o código de conduta da empresa. Atualmente, a desonestidade, o abandono de emprego (faltas injustificáveis por 30 dias ou mais) e as agressões continuam sendo os principais motivos. Embriaguez em serviço, violação de informações confidenciais e descumprimento de regras ou ordens diretas também podem render uma demissão por justa causa.
Alguns comportamentos na “zona cinzenta”, como atrasos frequentes e faltas sem justificativa, ganharam um peso muito maior nos tribunais. A tecnologia funciona como uma lente potente: o uso excessivo de redes sociais durante o expediente, por exemplo, pode ser usado como prova de baixa produtividade. Portanto, zelar pela sua carreira significa manter o respeito e a ética.
O assédio moral e sexual, antes subnotificados, são combatidos com rigor e levam à demissão por justa causa imediata. Lembre-se de que a transparência é sua melhor aliada; se tiver dificuldades com o horário ou com as novas regras, dialogue com o RH antes que a situação escale para uma punição irreversível.
O que acontece após o desligamento?
A justa causa resulta em perda de direitos, como aviso prévio, multa de 40% e saque do FGTS, além de seguro-desemprego. O trabalhador receberá apenas saldo de salário (dias trabalhados) e o saldo de férias, se houver, com a soma de ⅓ do salário.
Mas segundo o advogado trabalhista, Vitor Kupper, o trabalhador pode buscar a revisão de irregularidades, pagamentos incorretos ou estabilidades não observadas, como em casos de gestação ou doença ocupacional. A Justiça do Trabalho também pode intervir se a dispensa for considerada discriminatória. “O trabalhador tem até dois anos após o fim do contrato para ingressar com uma ação. Nesse processo, é possível discutir direitos referentes aos últimos cinco anos do vínculo”, finaliza.
Resumo: O Brasil vive um recorde de demissões por justa causa devido ao monitoramento digital rigoroso e à volta ao trabalho presencial. Atitudes como insubordinação, atrasos constantes e uso indevido de redes sociais podem levar ao desligamento sem direitos. A recomendação é manter o diálogo com o RH e seguir estritamente o código de conduta.
Leia também: Churrasco durante atestado pode dar justa causa? Caso real acende alerta sobre redes sociais e trabalho
