Uma decisão histórica do Ministério da Saúde promete mudar o rumo do tratamento oncológico na rede pública do Brasil. O Diário Oficial da União publicou na última quarta-feira (13) a portaria que oficializa a incorporação do sequenciamento de nova geração (NGS) na saúde pública. A medida assegura o acesso ao exame que identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, os principais responsáveis pelo desenvolvimento de tumores hereditários. O governo estabeleceu o prazo máximo de 180 dias para que os hospitais implementem o serviço.
O avanço representa uma conquista urgente, pois o exame tem alto custo em laboratórios particulares. Por isso, muitas mulheres precisavam recorrer à Justiça para conseguir o direito ao mapeamento. Agora, o teste genético no SUS vai direcionar diagnósticos e tratamentos personalizados de forma gratuita, beneficiando milhares de brasileiras que enfrentam o câncer de mama.
O impacto do teste genético no SUS para as famílias
De acordo com o geneticista Paulo Zattar Ribeiro, a novidade transforma o acolhimento médico: “Estamos falando da entrada definitiva da medicina de precisão no SUS. O teste genético não beneficia apenas a paciente diagnosticada: ele permite identificar familiares em risco e atuar antes mesmo do surgimento do câncer”, afirma o especialista.
Como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 possuem caráter hereditário, a identificação precoce do problema desenha estratégias preventivas eficazes. O diagnóstico molecular ajuda a definir desde o uso de terapias-alvo até a realização de cirurgias preventivas. “Quando identificamos uma mutação hereditária em uma paciente, existe a possibilidade de proteger outras pessoas da família por meio de monitoramento e prevenção. Uma única testagem pode ter impacto em várias gerações”, explica o especialista.

Desafios na estrutura e acolhimento das pacientes
Embora a incorporação da tecnologia seja um marco muito comemorado, a expansão do acesso exige uma estrutura de atendimento robusta. O exame laboratorial sozinho não resolve a jornada da paciente. “É fundamental que exista acompanhamento especializado para orientar pacientes e familiares sobre o significado clínico dessas mutações e os próximos passos”, destaca o geneticista.
Por isso, os centros de saúde precisam oferecer o aconselhamento genético obrigatório para interpretar os resultados com clareza. As pacientes necessitam de acolhimento especializado para compreender o significado das alterações genéticas e decidir, junto aos profissionais, os próximos passos do tratamento clínico. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforçam que o diagnóstico precoce eleva as chances de cura da doença para até 95%.
Resumo: O SUS incorporou o teste de sequenciamento genético (NGS) para identificar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 em pacientes com câncer de mama. A portaria do Ministério da Saúde fixa o prazo de 180 dias para a implementação do exame, que ajuda a prever riscos familiares e personalizar tratamentos.
Leia também:
Câncer de mama durante e após a gestação: o que fazer?
