O câncer de pele segue como o mais incidente no Brasil. Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o tipo não melanoma representa cerca de 31% dos novos casos de câncer no país, enquanto o melanoma, forma mais agressiva da doença, soma aproximadamente 8,9 mil novos casos por ano. Números altos que fazem muita gente se perguntar: será que estou prestando atenção suficiente na minha pele?
Quando uma pinta pode ser preocupante?
Manchas e sinais são muito frequentes e, na maioria das vezes, benignos. Ainda assim, alguns comportamentos pedem atenção. “Lesões que não cicatrizam, que sangram com facilidade, que apresentam crescimento progressivo, ou pintas escuras que estão aumentando de tamanho ou mudando de aspecto precisam ser avaliadas por um dermatologista”, diz José Roberto Fraga Filho, dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e diretor clínico do Instituto Fraga de Dermatologia.
Uma das formas mais conhecidas de observar os sinais é a chamada regra do ABCDE, uma orientação simples que ajuda a identificar características suspeitas.
Regra do ABCDE: um guia para observar seus sinais
“Se uma pinta apresentar uma ou mais dessas características, é importante procurar um dermatologista”, orienta Fraga, que reforça que a dúvida, por si só, já é motivo suficiente para marcar consulta.
A – Assimetria: uma metade da lesão é diferente da outra.
B – Bordas irregulares: contornos mal definidos ou recortados.
C – Cor: diferentes tonalidades na mesma lesão.
D – Diâmetro: maior que 6 milímetros.
E – Evolução: crescimento ou qualquer mudança recente.

Bronzeado não significa saúde
Existe, sim, um perfil de maior risco para câncer de pele. O dermatologista explica que pessoas de pele clara, olhos claros, que tiveram muita exposição solar ao longo da vida, especialmente com histórico de queimaduras solares, apresentam maior risco.
No Brasil, o bronzeado ainda costuma ser associado à ideia de saúde e bem-estar. Mas é preciso rever esse olhar. “Bronzeado é sinal de defesa da pele, não de saúde”, diz Fraga. A exposição solar excessiva, acumulada ao longo dos anos, está diretamente relacionada tanto ao câncer de pele quanto ao fotoenvelhecimento precoce.
Como cuidar sem paranoia?
“O padrão-ouro na prevenção dos danos causados pelos raios ultravioleta é o uso diário de protetor solar nas áreas fotoexpostas”, afirma o dermatologista. Ele também recomenda evitar exposição solar entre 11h e 16h, usar chapéus, óculos e roupas com proteção UV e reaplicar o produto em situações de exposição prolongada.
Para quem tem maior risco (pele clara, histórico de muita exposição solar, fotoenvelhecimento acentuado ou antecedentes pessoais ou familiares de câncer de pele), a avaliação anual é indicada. Mesmo quem não apresenta fatores de risco relevantes pode se beneficiar de consultas periódicas.
Sem medo
É comum adiar a consulta por receio do diagnóstico. Mas esse atraso pode custar caro. “Em qualquer área da medicina, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e permite tratamentos menos agressivos”, afirma José Roberto.
No caso do câncer de pele, as taxas de sucesso são muito altas quando a doença é identificada no início. Embora o diagnóstico de melanoma normalmente traga medo e apreensão, de acordo com a SBD, as chances de cura são de mais de 90% quando há detecção precoce da doença.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1512, de 12 de março de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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