A morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, após complicações relacionadas a uma coleta de óvulos em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, chamou atenção para os possíveis riscos envolvidos nos tratamentos de reprodução assistida. Embora especialistas considerem o procedimento seguro na maioria dos casos, algumas complicações raras podem acontecer e exigem atendimento rápido.
Segundo o boletim de ocorrência, Mariana realizou a punção ovariana para fertilização in vitro na manhã da última segunda-feira (4), na clínica Invitro Reprodução Assistida. Depois de receber alta, ela apresentou dores intensas e sensação de frio. Por isso, retornou à unidade poucas horas depois.
Inicialmente, a magistrada acreditou que havia urinado na roupa. No entanto, a equipe médica identificou uma hemorragia vaginal. O médico responsável realizou uma sutura para conter o sangramento e, posteriormente, encaminhou Mariana para a Maternidade Mogi Mater.
Apesar dos procedimentos adotados, o quadro evoluiu de forma grave. Na madrugada de quarta-feira (6), a juíza sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e morreu às 6h03. Agora, a polícia investiga o caso como morte suspeita e morte acidental para esclarecer se houve complicações inerentes ao procedimento ou possível falha no atendimento.
Coleta de óvulos: como funciona o procedimento
A coleta de óvulos integra o tratamento de fertilização in vitro e costuma acontecer após a estimulação hormonal dos ovários. Durante o procedimento, o médico utiliza uma agulha guiada por ultrassom para retirar os óvulos maduros.
Em geral, a técnica dura poucos minutos e apresenta baixos índices de complicações. Ainda assim, médicos alertam que nenhum procedimento cirúrgico está totalmente livre de riscos. Além disso, fatores como endometriose, histórico de cirurgias pélvicas e doenças inflamatórias podem aumentar a chance de intercorrências.
A clínica responsável pelo atendimento lamentou a morte da paciente e afirmou, em nota, que prestou assistência emergencial e realizou o encaminhamento hospitalar necessário. A instituição também destacou que procedimentos médicos podem apresentar riscos inerentes.
Quais são os riscos do procedimento
Entre as possíveis complicações da punção ovariana, a hemorragia abdominal aparece como uma das mais delicadas. Isso porque a agulha utilizada na retirada dos óvulos atravessa a parede vaginal até alcançar o ovário e, em situações raras, pode atingir vasos sanguíneos importantes.
Consequentemente, o sangramento pode se espalhar pela cavidade abdominal ou sair pela vagina. Em alguns casos, os médicos precisam realizar cirurgia de emergência para conter a hemorragia e limpar a região afetada.
Apesar disso, especialistas ressaltam que o uso do ultrassom reduz significativamente o risco de acidentes durante a retirada dos óvulos. Além da hemorragia, outras complicações podem surgir, como lesão intestinal, peritonite, danos ao ureter e formação de abscesso pélvico.
Outra complicação associada à coleta de óvulos é a torção ovariana. Nesse quadro, o ovário gira em torno do próprio eixo e interrompe o fluxo sanguíneo da região.
Embora rara, a condição pode ocorrer principalmente após a fertilização in vitro, já que os ovários costumam aumentar de tamanho depois da estimulação hormonal. Um estudo com 1.500 mulheres apontou ocorrência de torção ovariana em 0,13% dos ciclos analisados.
Além disso, os sintomas nem sempre aparecem imediatamente. Muitas pacientes desenvolvem o problema entre seis e 13 semanas após a punção ovariana. Por isso, médicos recomendam atenção a dores intensas, inchaço abdominal e mal-estar persistente após o tratamento.
Especialistas também reforçam a importância de acompanhamento médico rigoroso antes, durante e depois da fertilização assistida.
Leia também:
Influenciadora brasileira relata ter sido mordida por cachorro nos EUA; quais são os riscos?
