Você seguiu a dieta à risca de segunda a sexta, não cedeu à tentação de furar o dia na academia e, de quebra, ainda bateu a meta de água todos os dias. Ufa! Chegou o fim de semana e os eventos sociais se acumularam. O chopp com as amigas no happy hour, o almoço na casa da mãe (alô, carboidratos!) e as tacinhas de vinho com o parceiro. Na segunda-feira, 2 kg extras surgem na balança. O sentimento de frustração é inevitável.
Mas a verdade é que o corpo funciona de forma muito mais complexa do que as fórmulas rápidas da internet fazem parecer. Em entrevista à AnaMaria, a endocrinologista e metabologista Elaine Dias JK esclarece algumas das principais dúvidas sobre ganho de peso e explica por que olhar para a saúde de forma mais ampla faz tanta diferença.
“Carboidrato engorda”
Não é bem assim. Durante muito tempo, o carboidrato foi tratado como o grande inimigo das dietas. Mas a médica explica que o problema não está no alimento isoladamente, mas no contexto geral da alimentação e do estilo de vida. “Não é o carboidrato sozinho que provoca ganho de peso. O que importa é a quantidade total de calorias consumidas, além da qualidade desse carboidrato”, diz Elaine.
“Basta exagerar no fim de semana para engordar”
Não! A sensação de inchaço depois de sair da rotina pode até assustar, mas isso não significa ganho real de gordura. O aumento rápido na balança costuma estar muito mais ligado à retenção de líquidos do que ao acúmulo de gordura corporal. Alimentos consumidos em momentos de exagero geralmente têm mais sódio e carboidratos, o que faz o organismo reter água temporariamente. Em poucos dias, retomando a rotina, o peso costuma voltar ao normal.
“É só fechar a boca”
Não. Essa talvez seja uma das frases mais injustas quando o assunto é obesidade. A especialista reforça que o ganho de peso é multifatorial e envolve questões que vão muito além da alimentação. “Dizer que o peso depende apenas de ‘fechar a boca e malhar’ é um conceito ultrapassado”, afirma Elaine. Ela explica que noites mal dormidas, estresse crônico, sedentarismo, excesso de telas e até alterações na microbiota intestinal influenciam diretamente o metabolismo e os hormônios relacionados à fome e à saciedade.
“Comer à noite favorece o ganho de peso”
Verdade! Mas aqui a resposta é mais delicada. Segundo a endocrinologista, a ciência já mostra que o organismo tende a lidar pior com grandes quantidades de energia no período noturno. Isso não significa que jantar seja errado, mas refeições muito pesadas, principalmente ricas em ultraprocessados, podem favorecer o ganho de gordura e ainda prejudicar o sono. O problema acaba virando um ciclo: dormir mal interfere nos hormônios da fome e dificulta o controle alimentar no dia seguinte.
“Dietas radicais aceleram o emagrecimento”
Não! Na prática, acontece justamente o contrário. Dietas muito restritivas podem fazer o corpo entrar em estado de alerta, reduzindo o gasto energético para tentar “economizar” energia. “A longo prazo, essas dietas aumentam os hormônios da fome e favorecem o efeito sanfona”, explica a especialista. Por isso, estratégias extremas até podem trazer uma perda rápida inicialmente, mas costumam ser difíceis de manter. O resultado é a volta do peso e, muitas vezes, uma relação ainda mais desgastada com a comida.

“‘Fit’, ‘zero’ e ‘light’ sempre ajudam”
Nem sempre! Muitos produtos vendidos como saudáveis criam uma falsa sensação de liberdade para comer sem limites. Alguns alimentos light compensam a redução de gordura com mais açúcar. Já produtos zero açúcar podem ter altas quantidades de gordura ou calorias. Além disso, existe o chamado “efeito halo”, quando a pessoa acredita que, por ser “fit”, pode consumir em excesso. Por isso, olhar os rótulos continua sendo indispensável para fazer escolhas mais conscientes.
“Ganho de peso pode ser hormonal”
Verdade! Embora alterações hormonais raramente sejam as únicas responsáveis pelo aumento de peso, elas podem, sim, estar envolvidas em alguns casos. Ganho rápido e persistente acompanhado de sintomas como cansaço extremo, queda de cabelo, pele seca, irregularidade menstrual ou acúmulo de gordura abdominal merece investigação médica.
Condições como hipotireoidismo, resistência à insulina e síndrome dos ovários policísticos estão entre as possibilidades avaliadas pelo endocrinologista. E o principal alerta da especialista é simples: antes de culpar apenas a falta de força de vontade, vale olhar para o corpo com mais atenção e menos julgamento.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1525, de 12 de junho de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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