Por Dr. Leandro de Paula Gregório – Cirurgião Plástico, Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
A redução dos níveis de estrogênio provoca mudanças que vão muito além das ondas de calor e das alterações de humor que as mulheres sentem na menopausa. A pele perde elasticidade, a gordura corporal passa a se concentrar em novas regiões, ocorre redução da massa muscular e muitas mulheres percebem um aumento da flacidez e mudanças importantes no contorno corporal.
Essas transformações são naturais e fazem parte do processo de envelhecimento. No entanto, quando causam desconforto físico ou afetam a autoestima, existem recursos médicos que podem contribuir para recuperar o bem-estar, entre eles a cirurgia plástica, sempre indicada de forma individualizada e com expectativas realistas.
É importante entender que a cirurgia plástica não interrompe o envelhecimento nem substitui hábitos saudáveis. Seu papel é corrigir alterações estruturais que já não respondem apenas à alimentação, à atividade física ou aos tratamentos estéticos.
Menopausa e flacidez abdominal
Uma das queixas mais frequentes após a menopausa é a flacidez abdominal. Mesmo mulheres que mantêm uma rotina de exercícios podem perceber excesso de pele e perda da firmeza da musculatura, principalmente quando houve gestação ou perda importante de peso ao longo da vida. Nesses casos, a abdominoplastia pode ser indicada para remover o excesso de pele e restaurar o contorno abdominal.
Menopausa e a mudança nas mama
As mamas também sofrem mudanças significativas. A redução do volume glandular e a perda de elasticidade da pele favorecem a queda das mamas, situação conhecida como ptose mamária. Dependendo de cada caso, é possível realizar uma mastopexia para reposicionar as mamas ou associar o procedimento à colocação ou retirada de próteses, conforme o desejo e a anatomia da paciente.
Menopausa e perda de colágeno
Outra mudança comum ocorre no rosto. A perda de colágeno, gordura e sustentação dos tecidos pode acentuar sulcos, flacidez no pescoço, mandíbula menos definida e excesso de pele nas pálpebras. Quando essas alterações são mais avançadas, procedimentos como lifting facial e blefaroplastia podem proporcionar um rejuvenescimento respeitando as características individuais, sem modificar a identidade da paciente.
Além da pele, a redistribuição da gordura corporal também é uma característica da menopausa. Muitas mulheres passam a acumular gordura na região abdominal, nos flancos e nas costas, mesmo mantendo hábitos saudáveis. Em situações selecionadas, a lipoaspiração pode auxiliar no redesenho do contorno corporal, mas não deve ser encarada como método de emagrecimento.
Mudanças hormonais, questões emocionais e alterações da autoimagem podem influenciar a forma como a mulher percebe o próprio corpo
Talvez a mudança mais importante dos últimos anos seja a própria forma como a cirurgia plástica enxerga o envelhecimento feminino. A busca deixou de ser por resultados artificiais ou pela aparência de décadas atrás. Hoje, o objetivo é preservar a naturalidade, melhorar proporções e fazer com que a mulher se reconheça no espelho com conforto e confiança.
Antes de qualquer indicação cirúrgica, é fundamental realizar uma avaliação completa da saúde. A menopausa pode estar associada a condições como hipertensão, diabetes, osteoporose e alterações cardiovasculares, que precisam estar controladas para garantir segurança durante o procedimento. Em muitos casos, o cirurgião plástico trabalha em conjunto com ginecologistas, endocrinologistas e cardiologistas para oferecer um tratamento integrado.
Também é importante lembrar que nem toda insatisfação corporal deve ser tratada com cirurgia. Mudanças hormonais, questões emocionais e alterações da autoimagem podem influenciar a forma como a mulher percebe o próprio corpo. Por isso, uma boa consulta deve incluir escuta, orientação e uma conversa franca sobre expectativas e resultados possíveis.
Envelhecer faz parte da vida. A cirurgia plástica não tem como objetivo apagar essa história, mas pode ajudar algumas mulheres a atravessar essa fase com mais conforto, autoestima e qualidade de vida. Quando bem indicada, ela deixa de ser apenas um procedimento estético para se tornar parte de um cuidado mais amplo com a saúde e o bem-estar.
